CARTAS

Tempo


Como sou fã da lei da sincronicidade proposta por Jung, não poderia deixar de comentar a interessante carta do leitor José Mello, publicada nesta seção em 23 de novembro, versando sobre o horário de verão, que deverá se encerrar no terceiro domingo de fevereiro.

O escrevente questiona o ato de se atrasar o relógio em uma hora quando for meia-noite, assim lembrando: "o dia só tem 24 horas. A próxima hora é a 0h de amanhã, sendo assim, se o domingo já acabou, entraremos na segunda, mas, não estaremos no amanhã, e o ponteiro do relógio passará pela terceira vez no número 12. Qual será o significado e o termo apropriado (...) se não estamos no hoje, não estamos no amanhã e muito menos no ontem, onde é que estamos?"

O missivista chama a atenção para uma notável curiosidade que quase ninguém para pra pensar! Então, em nome da economia nacional, experimentaremos uma espécie de "não-tempo", um hiato, um rasgo atemporal, uma libertação (que por paradoxo não pode ser medida, pois, "sem-tempo") das aguilhoantes horas! Que fenômeno!

Aí, vem a lei da sincronicidade de que falei, pois logo acima da seção de cartas, no espaço dedicado a pensamentos, constava o seguinte dizer de Machado de Assis: "Há em todas as coisas um sentido filosófico". Ora, há e houve mesmo. Casaram-se tão bem os sentidos! Então, pegando carona nessa sincronia, arrisco um filosofar esotérico: oxalá esse não-tempo lembrado por José Mello cause alguma misteriosa projeção abrindo no novo ano incontáveis rasgos de não-ódio, não-maledicência, não-violência, não-preconceito e tantos outros males que assolam os mortais! Enquanto há (e é) tempo!

JORGE FACURY


Barulho

Quero falar dos escapamentos das motos que perturbam a qualquer hora do dia e da noite. É uma falta de respeito com as pessoas e os animais. Pergunto: onde está a fiscalização? A proliferação desses escapamentos é cada vez maior. Ninguém aguenta mais.

ELIAS CARDOSO DE MORAIS



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