ARTIGOS

Investimentos imobiliários


Flavio Amary

Como sempre escrevo, neste espaço, o mercado imobiliário possui um ciclo de longo prazo, seja na concepção e aprovação de um projeto imobiliário seja na construção e ocupação. Usualmente, para que tudo isso aconteça, decorre mais de uma década; por outro lado, o tempo de formação de um bairro, em alguns casos, pode ser ainda mais longo. Estamos em um período, conforme vários indicadores sinalizam, do fim de uma grande recessão econômica que trouxe muita dificuldade para todos os brasileiros. Esses mesmos indicadores, que apenas dois anos atrás estavam muito ruim, reverteram as tendências e o cenário hoje é completamente o oposto.

Inflação bastante baixa, em alguns casos índices negativos; juros básicos esperados para 7% no final de 2017; bolsa de valores com recorde de valor; câmbio controlado; volta do investimento estrangeiro; PIB com sucessivas variações positivas em todos os setores, e o principal deles, o nível de emprego voltou a ser positivo, pois já foram criados mais de um milhão de empregos neste ano.

Com as aplicações financeiras tradicionais rentabilizando menos do que o habitual nos fundos de investimento, outras opções de alocação de recursos voltam a ser atrativas, entre elas, os investimentos imobiliários.

O investimento no mercado imobiliário pode se dar de diversas formas e, muitas vezes, a partir de valores bastante baixos. Os fundos imobiliários têm possibilidade de diluir a compra de um ou mais imóveis entre diversos cotistas e com valores de cada cota acessível para a maioria dos brasileiros.

São diversas opções, também, no mercado tradicional. Podemos avaliar imóveis residenciais, comerciais, industriais, rurais. Cada qual com sua característica, nenhuma melhor ou pior, apenas diferentes.

Os imóveis industriais e comerciais usualmente, sofrem mais em períodos de recessão econômica e demoram um pouco mais para se recuperar, e esse problema é potencializado em algumas regiões do país onde apenas alguns anos atrás todos achavam que o período de prosperidade e bonança iria durar para sempre. Portanto, a oferta superou em muita a demanda e o processo de recuperação será mais lento. Para compensar, esses produtos geralmente têm uma rentabilidade proveniente da locação um pouco mais alta.

O mercado residencial tem menos impacto nos períodos de dificuldade econômica, pois as pessoas continuam precisando de moradia e, em especial, nosso país possui um enorme déficit habitacional e ainda uma população crescente, portanto, é um mercado um pouco mais estável, mas com retorno na locação um pouco mais baixo. Um novo projeto tem sido elaborado, com nosso apoio para, em conjunto com os poderes públicos, buscarmos formas de incentivar o investimento em moradia social para locação, chamado de - Locação Acessível Residencial (LAR).

O mercado de imóveis rurais também pode ser bastante atrativo, pois o custo de manutenção tende a ser mais baixo e a valorização no longíssimo prazo é mais acentuada, com o crescimento das cidades e o investimento em infraestrutura de ruas e estradas.

Lajes corporativas, shoppings centers, hotéis, flats, empreendimentos multiusos e novas tendências como coworking, cohousing, enfim, são várias formas e opções de investimento imobiliário, alguns mais acessíveis e outros onde o volume do investimento precisa ser mais alto.
Certamente algum deles encaixa no bolso para o brasileiro que busca uma forma de separar um pouco de seus rendimentos para investir no longo prazo com visão de complementar sua renda no mercado de locação, ou diversificação dos investimentos ou principalmente de realizar o sonho da casa própria.

O ponto principal e central de toda discussão é que os preços dos imóveis estão estáveis há mais de dois anos e a combinação de uma taxa de juros bastante baixa, volta do crescimento imobiliário e a demanda reprimida por imóveis, certamente, trará um novo ciclo de valorização imobiliária, e em um ciclo de longo prazo quem tomar a iniciativa antes terá maiores rentabilidades e ganhos.


Flavio Amary é presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e reitor da Universidade Secovi - famary@uol.com.br



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