ARTIGOS

Dê um novo sabor a vidas insossas


Geraldo Bonadio

A salada foi servida sem tempero. Você apanha o saleiro à sua frente, espalha sal sobre as folhas e os legumes e, à primeira garfada, descobre que, sabe-se lá por que razão, o prato permanece insosso. Reforça o sal. Nada acontece. E agora?

É essa a questão que Jesus propõe aos seus seguidores.

Saber se estamos ou não cumprindo a tarefa de dar sabor ao mundo e ao dia a dia daqueles com quem nos relacionamos é algo que escapa aos limites da exterioridade ou do legalismo.

Seu modo de vestir, o tamanho do seu cabelo, o uso ou não de joias e adereços e até o número de atividades das quais participa, a cada semana, na igreja a que pertence -- tudo isso indica quanto sal você colocou na salada. Não garante, necessariamente, que ela tenha adquirido sabor.

O Cristo espera de você um compromisso com o Evangelho que alcance todas as dimensões de sua vida, as passadas na intimidade do lar e no interior de seu próprio eu e também as de natureza pública.

A filósofa Judith Butler, que há pouco esteve no Brasil, para fazer uma palestra e tornou-se o centro de uma grande controvérsia, não faz parte de nenhum agrupamento cristão. Mas, a certa altura de longa entrevista concedida a um dos maiores jornais brasileiros, disse que uma grande contribuição do cristianismo à humanidade foi "a doutrina do amor e do apreço pelo valor da vida."

Crítica como é, não chegou a tal conclusão analisando a fala deste ou daquele pregador, e sim as atitudes concretas de seguidores de Jesus, frente a situações que punham em risco tais valores.

É isso, exatamente, o que Jesus espera daqueles que se dispõem a segui-lo: que sejam o sal da terra e imprimam, às realidades do mundo que os cerca, o sabor da justiça, do amor, da misericórdia e da proteção à vida dos mais frágeis e desamparados, temas que constituem o centro de sua mensagem.

"Vós sois o sal da terra; mas se o sal perder suas qualidades, como restaurá-lo? Para nada mais presta, senão para ser jogado fora e pisado pelos homens."

Evangelho de Mateus 5:13
Almeida Século 21



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