Nas lentes do conhecimento

Fotografia: vamos nos apaixonar mais uma vez


A fotografia e sua principal característica são quase que mágicas, nos resgatam de uma realidade estranha das ausências, de pessoas, lugares e momentos que formam cada ser. A fotografia e sua principal característica que é o recorte do tempo e espaço, na realidade desencantada da vida cotidiana nos joga novamente em um reencantamento do mundo. Por vezes somente imaginação, mas neste retângulo de imagens 2D, tão simples, tem o poder de resgatar a nossa memória, tem a força de arrancar de nossa vida as mais profundas lembranças.
 
Olhar uma fotografia, um retrato, um pequeno recorte retangular em 2D e ser atingido por ela, quase que em um olhar recíproco, resgata a memória, nos leva a lembranças e podemos novamente nos apaixonar pelo mundo e por quem somos, podemos admirar e chorar novamente a nossa história. Podemos até compreender a história dos outros e de toda a sociedade, claro que falo desde a invenção da primeira câmera fotográfica, da primeira fotografia em 1826 com o francês Joseph Nicéphore Niépce e do daguerreotipo de seu compatriota Louis Jacques Mandé Daguerre.
 
Sem deixar de lado toda a historia da humanidade desde os primeiros seres humanos caminhando no planeta, pintando sua vida nas paredes das cavernas, evoluímos para da Vinci, Picasso, Frida Kahlo, Monet, Dalí, entre tantos outros, somos herdeiros de uma bela história das imagens.  Somos herdeiros de toda produção cultural da humanidade, nas imagens encontramos o som de Beethoven ao som sombrio de um Black Sabbath. A imagem é a percepção de um individuo sobre a natureza, o universo que se coloca a sua frente.  
 
Viver é construir com paixões a nossa vida, guardar dentro de si suas memórias, fotografar é exteriorizar e eternizar estes momentos, é materializar as nossas lembranças. E por isso não podendo neste momento deixar de lembrar do grande fotografo Henri Cartier-Bresson: “Fotografar é pôr na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”. Quando fotografamos refletimos todo nosso passado e com isso conseguimos contemplar o presente, e em um impulso de nossos sentimentos clicamos a câmera para escrever com luz algo que nos falara no futuro sobre uma fração de segundo vivida e que contém uma eternidade de informações e emoções.  
 
Tanto para quem realiza a foto (o fotografo), para quem é retratado ou para quem a observa e a consome com os olhos e toda sua bagagem de vida, esta imagem pode ser muito mais que um simples recorte no tempo e espaço, pode ser um tesouro pessoal ou um artigo a ser valorizado em museus. A fotografia é uma arte que fala tanto para quem a realiza quanto para quem se realiza nela, para quem vive dela e para quem vive através dela. 
 
Outro grande fotografo que salta em nosso pensamento é Sebastião Salgado que com suas palavras termina por coroar suas belas fotos feitas em preto e branco: “Você não fotografa com sua máquina. Você fotografa com toda sua cultura.” A ferramenta em si, a câmera fotográfica e as técnicas utilizadas nada mais são que meios para expressar o próprio pensamento humano, em suas angustias e magnitudes.
 
Fica aqui o meu convite a todos vocês, amadores e profissionais, amantes da arte da fotografia, ou para quem busca um novo olhar para com o mundo se permita apaixonar por esta área.  Vamos explorar juntos o mundo da fotografia, da imagem e da alfabetização imagética.
 
Conversaremos sobre a fotografia e suas relações com outras formas de produção da imagem, sua relação como o pensamento e desenvolvimento sociocultural. Compreender a complexidade profissional desta área e admirar seu estado da arte.
 
Vamos analisar profundamente as fotos, suas concepções e técnicas, vamos revisitar nossas lembranças e vamos nos apaixonar mais uma vez.



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