ARTIGOS

De onde vem e quem ameaça a Reserva de Cobre e Associados?


Diego Faria Cola*

A Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca) foi criada em 1984, no ainda governo militar. O território engloba uma unidade de conservação ambiental além de reserva natural e indígena, localizando-se entre o limite dos estados do Amapá e do Pará, na Floresta Amazônica, com área equivale ao estado do Espírito Santo.

O objetivo da criação da Renca era a exploração mineral exclusiva do governo, em uma época onde não se preocupava em preservar os recursos naturais. Mas passadas três décadas, a Renca se depara com um polêmico impasse relacionado a seu futuro: com o argumento de atrair investimentos para dinamizar a economia, que sofre por conta da crise política instalada no Brasil há pouco mais de três anos, o presidente Michael Temer (PMDB) assinou o decreto nº 9.142, de 22 de agosto de 2017, que autorizava a extinção da reserva liberando a Renca para atividades mineradoras.

Afinal qual seria o real motivo para extinguir a reserva? A quem interessa a sua exploração?

O governo do presidente Temer vem enfrentando inúmeros problemas em sua gestão desde que assumiu o governo há pouco mais de um ano e meio. Problemas econômicos e políticos vêm causando o desgaste do governo e fazem sua popularidade virar pó. Apesar do apoio de parte do empresariado, Temer amarga a maior rejeição e desaprovação desde a redemocratização do País.

O governo, mesmo mergulhado em acusações por corrupção, não se intimida e caminha contra a população tomando medidas antipopulares e antidemocráticas. Uma delas foi a de extinguir a Renca através de um decreto. Para vários ambientalistas, a falta de discussão com a sociedade compromete a imparcialidade do governo. Projetos como esse precisariam da realização de audiências públicas, para se debater no Congresso com a participação popular.

A reserva liberada para a exploração seria de grande agrado para empresários, principalmente estrangeiros, que há anos cobiçam o patrimônio natural brasileiro. O decreto, camuflado de argumentos para a melhora econômica, pode ser um atentado a todas unidades de conservação do País, sendo uma porta para outros similares, privatizando o patrimônio natural brasileiro.

É sabido que governos impopulares tomam medidas polêmicas como essa, principalmente por não terem interesse em concorrer a novos cargos públicos. É vergonhoso em um país rico em recursos naturais como o nosso não haver leis mais severas para se combater sua exploração ilegal. Ainda somos imaturos para lutarmos com garra pela salvação de nossa Amazônia, que vive ameaçada e refém de governos imbuídos e acusados de corrupção.

Acuado pelas críticas vindas das mais variadas áreas da sociedade, o governo Temer revogou o decreto que autorizava a exploração na reserva. Porém, este assunto ainda não acabou e pode em breve voltar, principalmente se o governo insistir em apresentar decretos sem a discussão com a sociedade, que é a parte mais prejudicada neste caso.

Devemos ressaltar que atualmente a Renca, bem como outras reservas, são exploradas e devastadas aos poucos, por diferentes exploradores ilegais. Estes passam despercebidamente pelos olhares da sociedade, mas com a anuência do governo que sabe (tanto que usou isso como argumento para o decreto de agosto) e pouco se empenha em combater a criminalidade ambiental.

Nós brasileiros só temos uma opção: lutarmos pelo nosso patrimônio. A Renca e outras reservas continuarão ameaçadas enquanto estiverem no radar de governos corruptos. Nossas florestas são patrimônio nacional e não mundial, pertencendo assim aos brasileiros. A corrente que se formou em prol da Renca deve permanecer unida até conseguirmos resolver nossos problemas, sejam eles ambientais, sociais ou culturais.

Diego Faria Cola é graduado em Biotecnologia e doutorando em Ciências Ambientais da Unesp-Sorocaba; Felipe Parente Pedroso é graduando em Engenharia Ambiental da Unesp-Sorocaba; e Narlon Xavier Pereira é graduado em Ciências Biológicas e mestrando em Ciências Ambientais da Unesp-Sorocaba.



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