Pequenos Milagres

Nosso talento melhora o mundo


Meu quintal é um privilégio. Os flamboyants nos dão lindas flores vermelhas. As pitangueiras nos presenteiam com doces pitangas, as mangueiras estão vergadas de mangas. Os pássaros nos alegram com todos os cantares...
 
Me recordei da parábola dos talentos, proferida pelo Mestre Jesus. O patrão distribui os talentos aos empregados e viaja. Quando retorna, agradece e celebra com aqueles que multiplicaram os talentos recebidos, mas lamenta aquele que enterrou o seu talento com medo de perde-lo. Tudo deve dar de si o quanto tem, que é a ordem da vida. Pitangas, flores, cantos, mangas... Ah quem diga:  ”não tenho nenhum talento que valha a pena”! Não é verdade. Me lembro da história que ouvi de um de meus mestres:
 
Conta-se que Maria, a Mãe Maior, Nossa Senhora, anunciou que visitaria um belo monastério. Os monges todos se prepararam para receber a maravilhosa visita. Todos treinaram alguma apresentação. Havia, contudo, entre eles, um monge muito humilde, mal sabia ler, sem voz para o canto. Preocupados que o tal monge – considerado abobalhado - viesse a envergonhar todo mosteiro, os demais irmãos pediram a ele que ficasse em algum lugar fora da vista da milagrosa visita.
 
Eis que Nossa Senhora chegou, com o menino Jesus no colo, para surpresa de todos. E os monges iniciaram as apresentações. O primeiro declamou lindos poemas à Virgem, outro entoou um canto angelical, outro ainda proferiu as escrituras de cor. Enquanto os eruditos se apresentavam, o menino Jesus apontou para um mongezinho escondido entre as colunas. Era o tal monge mal letrado. Enquanto a Virgem e menino Jesus se aproximavam do mongezinho, a comunidade segurava a respiração, com vergonha antecipada. O pobre monge, que pouco sabia fazer além de orar e amar, tirou da batina três limões e passou a fazer um malabarismo. Foi a única vez que o menino Jesus sorriu. E foi a único irmão a ter a honra de carrega-lo ao colo... 
 
Quanto a mim, só sei semear palavras e canções. Nasci poeta e peço a Deus o talento de inspirar alguns corações à busca do que realmente importa nessa vida. Acho, que dessa forma, não enterro o talento que me foi concedido.
 
Bom Dia, Vida!



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