EDITORIAL

Força ambiental e transformadora


Um projeto de protagonismo infantil em seis escolas estaduais de Votorantim incentiva os alunos a plantarem árvores nas escolas. Esse é um conteúdo pedagógico que vai muito além dos muros escolares. Seu efeito multiplicador, além do estímulo à consciência ecológica e de preservação ambiental desde a infância, certamente levará essas crianças e jovens ao saudável hábito de plantar e cuidar de árvores em outros espaços, dos quintais de suas casas às áreas de chácaras. E certamente haverá os casos em que familiares e amigos se inspirarão nesse comportamento.
O projeto foi tema de reportagem publicada na coluna Educare do Cruzeiro do Sul, publicada na página C3 da edição de anteontem, de autoria da jornalista Daniela Jacinto. Intitulado Coletivo Jovem de Protagonismo Ambiental (Cojopa), o trabalho começou em agosto e segue até dezembro, na rede estadual de ensino de Votorantim, e é voltado a estudantes do 6º ao 9º anos do ensino fundamental.
A ação é desenvolvida pela ong Pé de Planta em parceira com a Votorantim Energia, por meio do Instituto Votorantim, e Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo (Seed). As seis escolas participantes são a Wilson Prestes Miramontes, a Armando Rizzo, a Antonieta Ferrarese, a Senador José Ermírio de Moraes, a Selma Maria Martins Cunha e a Clotilde Beline Capitani.
O projeto é, antes de tudo, uma mostra da importância da escola pública na educação e formação de pessoas. Ninguém nega as dificuldades, as carências, os desafios gigantes que permeiam os sonhos de construção de uma escola pública dotada de melhor estrutura e qualidade de ensino. Contudo, os alunos, educadores e a comunidade envolvida no projeto que une as seis escolas de Votorantim provam que o ensino público também é capaz de produzir ações transformadoras.
Provam, também, que a movimentação de uma determinada comunidade (neste caso, as escolas) pode concretizar realizações positivas quando há o apoio de organismos da sociedade civil e da esfera pública efetivamente comprometidos com o ensino e a formação de cidadãos.
Provam que, na contramão de tantos exemplos deprimentes contidos nos escândalos de corrupção pelo País afora, existem professores, diretores de escolas, representantes de instituições da sociedade civil, que são sérios, valorizam boas ideias e marcam suas trajetórias de vida com exemplos que podem servir de modelos para outras regiões brasileiras.
Sobres outros aspectos do projeto, o biólogo Vitor Hugo de Campos Fonseca, educador ambiental da ong Pé de Planta, afirma que a ideia também é celebrar a importância de trabalhar em equipe e, por isso, os jovens foram divididos em grupos para as ações. E comemora: "Eles passaram a perceber que os problemas sociais são coletivos e, se eles se organizarem, poderão resolver uma série de coisas. Às vezes, eles nem têm noção do que são capazes de fazer."
Especialistas garantem que quanto mais cedo o tema do meio ambiente for abordado com as crianças, maiores são as chances de despertar neles a consciência preservacionista. E os resultados dessa conscientização se tornam mais efetivos.
O exemplo das seis escolas de Votorantim faz valer na prática um trecho da célebre canção "Pra não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré: "Quem sabe faz a hora / Não espera acontecer."



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