EDITORIAL

Reciclando corretamente


A presença da tecnologia na vida de qualquer cidadão, mesmo o mais humilde, é inquestionável. Dependemos dela para praticamente tudo, de conferir o saldo bancário ao resultado do jogo de futebol. É a presença avassaladora da informação imediata de que os mais jovens, principalmente aqueles que nasceram neste século, sequer se dão conta, pois já nasceram inseridos nesse mundo tecnológico.

O problema é que a tecnologia avança muito rápido. Além de equipamentos que quebram durante o uso, a obsolescência de produtos eletrônicos é muito rápida. Um aparelho pode ser o mais avançado hoje e dentro de alguns meses poderá estar ultrapassado. Tudo isso gera o descarte imenso de produtos eletrônicos, altamente perigosos para o meio ambiente. Componentes eletrônicos, além de conter muitos metais raros como ouro e prata, têm também uma série enorme de produtos tóxicos.

É cada vez mais comum encontrarmos contêineres de lixo repletos de aparelhos descartados, assim como montes de equipamentos em terrenos baldios ou até em áreas verdes. O lixo eletrônico tornou-se um problema mundial, já que esse setor industrial é o que mais cresce atualmente. Além do consumo e produção gigantescos, temos produtos com vida útil cada vez mais curta. Segundo o Programa para o Meio Ambiente da ONU (Pnuma) serão descartadas em todo o mundo neste ano 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico, um risco seríssimo ao meio ambiente se esse material não for corretamente descartado. O lixo eletrônico tem características específicas. Muitos componentes ou mesmo matérias-primas podem ser recuperados e usados na confecção de outros aparelhos.

Em Sorocaba, a Prefeitura mantém um programa interessante de Metarreciclagem, ligado à Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Renda (Sedeter) que recebe lixo eletrônico doado por indústrias, empresas, universidades e pessoas físicas. São computadores, CPUs, mouses, cabos, impressoras, celulares entre outros. Componentes desses equipamentos são testados e reutilizados para montar novos equipamentos, principalmente computadores. Nos últimos sete anos, a Prefeitura já doou mais de 530 kits de computadores novos a entidades assistenciais em parceria com o Fundo Social de Solidariedade. Peças e componentes que não podem ser reutilizados por estarem danificados são repassados para uma cooperativa de reciclagem de lixo da cidade, que dá destinação correta a esse material. Além de recuperar equipamentos, esse serviço mantém um Telecentro Comunitário, que permite aos cidadãos utilizarem a internet uma hora por dia, além de terem a possibilidade de fazer impressões e tirar cópias de documentos.

Como nem todos os aparelhos e componentes podem ser reaproveitados, é necessário o descarte correto desse lixo. Algumas iniciativas estão surgindo para dar um destino certo a esse material. É o caso da Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens) que abriu um ponto de descarte de equipamentos eletrônicos em desuso. O chamado Ponto de Entrega Voluntária (PEV) está localizado no campus da faculdade, na rodovia Senador José Ermírio de Moraes, e funciona de segunda a sábado. Esse programa é resultado de uma parceria com uma entidade gestora para logística reversa de eletroeletrônicos e várias entidades. O procedimento faz parte de um projeto experimental da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Todos componentes são separados e a matéria-prima é reutilizada na produção industrial.

A reutilização de componentes eletrônicos quando possível e o reaproveitamento da matéria-prima contida nesses equipamentos é o caminho correto para lidar com esse novo problema. Mas é importante que sejam criados pontos de descarte em número suficiente. Senão, corre-se o risco de termos o mesmo problema das pilhas. Todos nós sabemos que elas não devem ser descartadas no lixo comum, mas os pontos de recepção são insuficientes e acabamos acumulando material tóxico em casa.



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