ARTIGOS

Medicina por estilo de vida, a ciência do século 21


Marcos Candido de Azevedo

O mundo vive uma pandemia de doenças crônicas em crescimento exponencial, levando ao aumento expressivo nas taxas de mortalidade, morbidade e incapacidade física. As doenças crônicas como as cardiovasculares, respiratórias, câncer e diabetes são as que mais matam mundialmente, vitimando mais de 36 milhões de pessoas anualmente, respondendo por 63% do total de óbitos mundiais, incluindo mais de 14 milhões de mortes prematuras de pessoas entre 30 e 70 anos de idade.

Os países em desenvolvimento como o Brasil respondem por 86% dessas mortes prematuras, resultando em perdas econômicas cumulativas da ordem de sete trilhões de dólares nos últimos 15 anos. A totalidade dessas mortes poderia ter sido evitada se agíssemos firmemente contra os fatores de risco conhecidos: falta de atividade física regular, dieta pobre em nutrientes e de má qualidade, tabagismo e uso nocivo de bebidas alcoólicas. A sociedade moderna passou a dar preferência por alimentos já processados, rápidos para consumo e a um crescente número de fast foods. O grande problema reside no fato de que os alimentos processados industrialmente possuem baixíssima densidade nutricional e altíssimo valor calórico, são fabricados com apenas frações de alimentos reais, compostos químicos, aditivos sintéticos, conservantes, altas concentrações de sódio, gorduras e açúcares.

O consumo excessivo desses alimentos e das fastfoods tem sido um dos principais responsáveis pelas crescentes taxas de adoecimento da população. Refrigerantes, doces, snacks, sorvetes e alimentos processados industrialmente são muito saborosos e visualmente bastante atrativos, mas trazem consigo o ônus da obesidade e do comprometimento da saúde. O sedentarismo é um outro algoz perigoso. Usamos carro, elevadores, escadas rolantes, controle remoto, portão automático, minimizando a atividade física em detrimento de nossa saúde. A urbanização excessiva eliminou espaços ao ar livre como parques e o convívio da natureza que possa nos estimular à prática saudável de exercícios. Nós da geração Facebook e WhatsApp passamos horas a fio diante de celulares, tablets, ipads, computadores... hábitos que comprometem a qualidade do convívio social saudável e contribuem para o sedentarismo.

A Medicina por Estilo de Vida propõe uma nova abordagem e prática médica focando em evitar a instalação de patologias, não se limitando às práticas tradicionais de uma medicina curativa que é meramente reativa e atua pura e simplesmente para tratar condições já estabelecidas e que poderiam ser plenamente evitadas. A Medicina por Estilo de Vida é uma nova especialidade em forte ascensão nos países desenvolvidos, demonstra ser capaz de reduzir em mais de 80% a incidência de doenças crônicas, busca a adoção de hábitos saudáveis por parte da comunidade focando em seis pontos estratégicos:

1 - Alimentação saudável dando preferência às frutas, legumes, verduras, cereais integrais e proteínas de origem vegetal; 2. Atividades físicas regulares de, no mínimo, 30 minutos diários; 3. Evitar o estresse; 4. Abandonar o tabagismo e uso excessivo de bebidas alcoólicas; 5. Dormir pelo menos sete horas diárias; 6. Cultivar o amor construindo relacionamentos edificantes, convivendo em ambientes saudáveis e investindo na amizade de pessoas que realmente valorizem e se importem com você.

Estudos internacionais demostram que a melhora em 10% a 20% no estilo de vida é capaz de reduzir mundialmente de 500 mil até 1,3 milhão de mortes por ano.


Dr. Marcos Candido de Azevedo é profissional de saúde com mais de 25 anos de formação, foi responsável pela gestão de inúmeros programas de saúde em diversas multinacionais farmacêuticas. Possui formação internacional em instituições de renome como a Jonhs Hopkins School of Public Health, University of Calgary entre outras. É fundador do Instituto do Desenvolvimento Humano (IDH) e do Centro de Estudos Nutracêuticos (CENUTRA)



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