ARTIGOS

Além da reciprocidade e do interesse


Geraldo Bonadio
 
A reciprocidade e o interesse são instrumentos essenciais à convivência sem atrito. Interessa-nos uma relação harmoniosa com os condôminos do conjunto que habitamos. Isso garante que ao dizermos bom dia ao vizinho ele retribuirá a saudação em vez de resmungar: -- Só se for para você! A reciprocidade nos dá uma razoável confiança de que centralizando os negócios num determinado banco, o gerente de conta agilizará a liberação de um crédito de que venhamos a precisar.

Jesus propõe aos seus seguidores atitudes bem mais amplas e generosas nas relações com os semelhantes. Ensina que devemos socorrer também aqueles que não são nossos amigos ou conhecidos, sermos gentis com quem nos trata grosseiramente e não buscar vingança contra aquele que nos prejudicou.

Determina que ao prestar ajuda a alguém, não levemos em consideração se o destinatário, amanhã, poderá nos ser útil na busca de nossos objetivos. E não para por aí.

Recomenda que ignoremos a praxe do bateu levou e a prática do toma lá dá cá, frequente em diferentes tipos de contato. Devemos, antes, tomar como referência a misericórdia do Altíssimo que não exclui nem aqueles que se deixam contaminar pela ingratidão ou corroer pela maldade. É um parâmetro nada racional: ignora o cálculo e passa ao largo da busca de retribuição.

Esse modo de viver, em total dissintonia com a praxe tão entranhada em nós, renega a referência lógica que habitualmente rege as nossas decisões. Em contrapartida acena com um tipo de ganho que interesse e reciprocidade não têm como assegurar: um coração leve, aberto à brisa da felicidade.

"Amai os vossos inimigos, fazei o bem e prestai ajuda sem esperar coisa alguma em troca. Então a vossa recompensa será grande. Sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso também para com os ingratos e maus."

Evangelho de Lucas 6:35 Tradução CNBB
Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com



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