ARTIGOS

A intensidade sobrepuja a duração


Geraldo Bonadio

Você se angustia porque sua jornada de trabalho, adicionada às horas consumidas no transporte de casa para a fábrica e da fábrica para casa, reduzem o tempo que gostaria de dedicar ao seu filho? Acha-se inquieto por não poder compartilhar com sua mulher ou seu marido tantos momentos quanto desejaria? Mergulha numa tristeza enorme por dispor de tão poucos instantes para cultivar suas amizades? Aquiete-se. O que conta na vida é menos a duração do que a intensidade.

A permanência durante muitas horas ao lado de alguém a quem dedicamos amor, afeto ou amizade está longe de ser o que mais importa. Há quem passe o dia todo ao lado de um colega de trabalho, anos a fio, sem nunca o conhecer verdadeiramente ou dividir com ele alegrias e tristezas. Em tais circunstâncias, jamais brotará, entre eles, a chama da amizade. A bem da verdade, sequer chegarão a ser conhecidos, no exato sentido do termo.

O tempo que os cônjuges consomem, assistindo, lado a lado, a sucessivos programas de televisão, raramente traduz uma real partilha de emoções e sentimentos. Quase sempre, o que temos aí são vivências paralelas, incomunicáveis entre si.

A conduta humana vale pela intensidade com que nela você se joga, plenamente disponível para o outro; interessado mais em acolher do que em ser acolhido; empenhado em ouvir e compreender e não em discursar de modo interminável sobre seus muitos afazeres e seus gravíssimos problemas. Em resumo, pelo nível de amor que permeia esse contato.

Há, na vida, anos e décadas que não valem sequer um segundo e momentos que, curtos embora, têm mais significado e valor que dias ou meses de convivência encenada.

"Não finjam apenas amar os outros: amem com sinceridade. Odeiem tudo aquilo que está errado. Coloquem-se ao lado do bem. Amem-se uns aos outros com amor fraterno. (...)"


Carta de Paulo aos Romanos 12:9-10
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