SOROCABA E REGIÃO

Invasores ocupam 63 apartamentos do Carandá


Os moradores do Residencial Carandá sofrem há pelo menos quatro meses com invasões constantes de apartamentos que ainda estão desocupados. Segundo o último levantamento feito pela Prefeitura de Sorocaba no início do mês, de 115 imóveis ainda sem a destinação correta, 63 estavam ocupados irregularmente. A Prefeitura afirma que as 115 unidades estavam vazias porque “os primeiros donos não compareceram para assinar o contrato ou desistiram do atendimento no Programa Habitacional Jardim Carandá”. Os síndicos e moradores dos 16 condomínios do Carandá, empreendimento que possui no total 2.560 apartamentos, pedem uma solução para o problema e afirmam que o residencial não possui lista de espera. Enquanto a solução não chega, eles investem em câmeras de monitoramento, fazem rondas pelos condomínios e até pregaram um tapume em um apartamento que teve a porta arrombada em mais uma tentativa de invasão.
A Prefeitura afirma, por meio de nota, que, apesar “dela não ser proprietária de tais imóveis” e portanto não ter obrigação, “já tomou as providências jurídicas necessárias em relação às invasões, por meio da Secretaria de Assuntos Jurídicos e Patrimoniais”, e que “a desocupação ocorre nos termos da sentença judicial”. Já a assessoria de imprensa do Banco do Brasil afirma, por meio de nota, que vem cumprindo “com todas as obrigações e responsabilidades atribuídas no Programa Minha Casa Minha Vida com relação ao empreendimento Jardim Carandá, e esclarece que o BB e a Prefeitura estão tomando as medidas cabíveis junto às autoridades competentes para regularizar a situação”.
De acordo com dados da própria Prefeitura, dos 16 condomínios do Carandá, em 11 deles há imóveis invadidos. O maior número de invasões ocorre no Jerivas (13), Manacá (11), Cedro (9) e Jatobá (8). Uma das últimas tentativas de invasão ocorreu na tarde de segunda-feira (9), por volta das 15h, no condomínio Buriti, que segundo a municipalidade já conta com dois imóveis invadidos. De acordo com o síndico do condomínio, Fábio Augusto Floriano de Barros, 29 anos, que mora no local desde junho desse ano, um homem chegou ao residencial e teria arrombado a porta de um apartamento que estava desocupado. Ele já estava acompanhado de um chaveiro e tinha a mudança em cima de um caminhão. A Polícia Militar prendeu o homem por ser foragido da Justiça.
“Já conseguimos impedir que pelo menos três apartamentos fossem ocupados pelos invasores. Há um quarto imóvel que foi ocupado há cerca de duas semanas por um casal com três crianças e nesse caso achamos melhor não interferir, mas todas as ocorrências já foram comunicadas para a Prefeitura e estamos aguardando uma solução”, afirma Fábio de Barros. Ele destaca, no entanto, que a situação é perigosa e que muitos moradores e até síndicos já foram ameaçados por tentarem impedir as invasões. “Já fizemos reunião com a Prefeitura e com o Banco do Brasil, mas até o momento nada foi resolvido. Apenas a Construtora Direcional, empresa responsável pela obra, passou a retirar as louças, como pia e vasos sanitários, além de disjuntores, dos imóveis que estão vazios.”
Tapume e câmeras
No condomínio Aroeira, após os moradores impedirem a invasão de dois apartamentos, eles decidiram investir em equipamentos de segurança e instalaram câmeras de monitoramento há duas semanas. Além disso, eles se uniram e se revezam em vigilância constante contra os invasores. O Aroeira é um dos cinco condomínios que no momento não possui nenhum imóvel invadido.
Segundo a síndica, Renata da Silva Dias, 36 anos, há cerca de um mês o condomínio sofreu duas tentativas de invasão. “Uma ocorreu à tarde e outra à noite e os invasores pularam a grade e entraram nos apartamentos pelas janelas e em seguida trocaram as fechaduras das portas”, afirma ela. De acordo com Renata, ela e outros moradores convenceram os invasores a desocupar os imóveis. “Aqui a união dos moradores do Aroeira está fazendo a diferença e não estamos permitindo que as invasões se concretizem. Por isso, instalamos as câmeras e a central de monitoramento fica na portaria e eu também acompanho as imagens pela internet”, conta.
A síndica afirma ainda que no condomínio a Construtora Direcional também retirou os vasos, pias e disjuntores dos imóveis que estão desocupados. “Também vamos solicitar que o fornecimento de energia elétrica e de água seja cortado até que os apartamentos possam ser ocupados pelos verdadeiros donos”, disse Renata. Ela afirma ainda que os moradores do Carandá aguardam pela reintegração de posse solicitada judicialmente pela Prefeitura de Sorocaba.
Já no condomínio Figueiras, a síndica e os moradores chegaram a pregar um tapume na porta de um apartamento que foi invadido depois de ter a porta arrombada. “Aproveitamos uma hora que não tinha ninguém e pregamos o tapume para evitar que os invasores permanecessem no imóvel”. Flávia Evangelista da Silva, 38 anos, é a síndica do condomínio e afirma que já houve pelo menos três tentativas de invasões de imóveis no Figueiras, todas em imóveis que estavam vazios. “Geralmente os invasores chegam em dias com grande movimentação de pessoas como nos domingos e feriados e aproveitam que os síndicos não estão para entrar nos imóveis”, conta.
De acordo com Flávia, os moradores também se revezam para fazer rondas pelo condomínio com o objetivo de impedir novas ocorrências. “Enquanto os apartamentos vazios não forem ocupados por suplentes ou por outras famílias que forem indicadas pela Prefeitura, vamos continuar convivendo com as invasões e correndo riscos”, lamenta a síndica.
A Prefeitura de Sorocaba afirma que “todas as famílias que faziam parte da lista reservada ao Carandá já foram convocadas” e que foi necessária a convocação de outras famílias (cerca de 100 pessoas), que fazem parte do Programa Habitacional Jardim Altos do Ipanema, porém elas ainda dependem da análise de documentação da Caixa Econômica Federal. Deste modo, a mudança ocorrerá somente após o término da análise pelo órgão financiador.



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