CULTURA

Quito Rosa morre aos 83 anos em Sorocaba


Faleceu na manhã desta quarta-feira (13), aos 83 anos, Francisco Martiniano da Rosa, conhecido como Quito Rosa, importante organizador e incentivador da seresta em Sorocaba. O velório será realizado no Espaço Pax a partir das 18h e o corpo será sepultado amanhã, às 10h, no cemitério Pax.

Quito Rosa se destacou como um dos principais difusores da seresta na cidade nas últimas décadas, tendo reunido inúmeros seresteiros da cidade, inicialmente em seu bar, na Vila Carvalho, e posteriormente, em estabelecimentos de Sorocaba e região.
 
Ele era casado com Flora Aparecida Vieira Garcia. Deixa também os filhos Francisco, Sueli e Raquel e dezenas de cantores, instrumentistas e apreciadores da seresta. De acordo com o músico Fábio César Soares, o Fabinho 7 cordas, nos últimos meses, mesmo debilitado em decorrência de problemas de saúde, ele fazia questão de continuar organizando apresentações de seu grupo. "Ele foi um ícone da seresta. Graças a ele, a seresta em Sorocaba tem uma tradição muito forte. É uma perda muito triste", lamentou o músico.
 
Fábio afirma que Quito Rosa acolheu os músicos da cidade na década de 1980, depois que o tradicional bar Tudo Azul, na Comendador Oeterer, o único da época voltado ao gênero, fechou as portas. Pouco tempo depois, seu bar, na rua Rua Rubino de Oliveira, na Vila Carvalho, se tornaria o principal reduto da seresta em toda região. "Ele foi um grande alicerce para muitos músicos da cidade. Era muito exigente e gostava de ouvir um repertório de seresta tradicional", acrescenta o violonista.
 
Dentre os músicos que receberam de Quito Rosa a primeira oportunidade para se apresentar em público está Wellington Pereira, integrante do grupo de samba Família Pereira. "Foi há 11 anos, em uma padaria na rua Aparecida onde acontecia o encontro de um grupo de seresteiros aos domingos de manhã", lembra o músico.
 
Wellington detalha que Quito sempre foi muito respeitado no meio musical e se destacava por sua capacidade de liderança. "Ele escrevia os nomes na lousa para organizadamente selecionar os cantores. Um dia fui escolhido e surpreendentemente quando terminei de cantar ele logo escreveu meu nome novamente me dando mais coragem para seguir carreira", afirma o músico.
 
Fábio Soares aponta que, ao lado de Mazé Muraro, falecida em novembro de 2016 -- outra importante incentivadora dos encontros musicais da cidade --, Quito Rosa foi um "grande alicerce para que a nossa seresta permanecesse viva até hoje".
 
Além da seresta, Quito Rosa tinha outra paixão: o futebol. Foi técnico do Canto Rio do Supiriri, time que revelou jogadores que se tornaram profissionais e conquistou o titulo do Cruzeirão de 1963 (futebol de salão) e o Título de Campeão Varzeano de 1965. Em 2008, ele recebeu da Câmara Municipal de Sorocaba o Título de Cidadão Emérito proposto pelo então vereador Francisco Moko Yabiku.



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