SOROCABA E REGIÃO

Polícia indicia seis em inquérito sobre Santa Casa


Atualizada à 0h10


Seis pessoas, entre as quais três ligadas à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba, foram indiciadas pela Polícia Civil após investigações a respeito de supostas irregularidades, que envolveriam os crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e fraude em licitação. Os eventuais crimes foram apontados no sétimo inquérito concluído pela Delegacia Seccional sobre a Santa Casa, e se referem à aquisição, em 2013, de um gerador e um transformador, sem a realização de processo licitatório, embora tivessem sido comprados com verba pública. As informações foram divulgadas ontem à tarde em entrevista coletiva. Segundo a Polícia Civil, a negociação teria sido feita com superfaturamento acima de R$ 150 mil. 
 
Dos três indiciados ligados ao hospital, apenas o ex-provedor José Antonio Fasiaben não compareceu ontem à delegacia, e nem foi encontrado pela reportagem para falar sobre o assunto. Os outros -- o então diretor jurídico da Santa Casa, advogado José Domingos Valarelli Rabello, e João Tadeu Rocha, que era encarregado de compras -- se declaram inocentes e dizem que estão tranquilos.
 
Os outros três apontados pela Polícia Civil como envolvidos no esquema de superfaturamento são os dois sócios-proprietários da empresa GSP Medical, Edson José Ribeiro e Orlando José da Silva (ambos não localizados pela polícia) e Gilberto Zamboni, diretor comercial do Grupo SR Stemac Grupo Geradores, com matriz em Porto Alegre e filiais em todo o país. A assessoria de imprensa da Stemac informou por telefone, na noite desta quarta-feira (13), que a empresa tem o maior interesse em esclarecer todos os fatos, e que deverá se posicionar nesta quinta-feira sobre o assunto, não tendo se manifestado ontem devido ao horário em que foi procurada pela reportagem.
 
De acordo com o delegado assistente da Seccional, Alexandre Cassola, relatório procedente da Corregedoria da Administração Pública do Estado oferece embasamento para convicção de que houve superfaturamento na compra dos equipamentos, considerando que o custo foi de R$ 162.810,01, mas a nota emitida foi de R$ 318.250,00. Ainda segundo ele, as provas obtidas são de caráter documental, testemunhal e pericial, sendo portanto o inquérito concluído e encaminhado ao Judiciário. Cassola explicou que os indícios se justificam pelos trabalhos realizados inclusive no sentido de recuperação de arquivos deletados dos computadores apreendidos na Santa Casa, chegando-se, segundo ele, às notas de valores diferenciados dos produtos.
 
Conforme detalhou o delegado, os equipamentos foram passados pela Stemac pelo valor mais baixo para o Grupo GSP, que por sua vez emitiu a nota para a Santa Casa no valor superior a R$ 300 mil. Ainda segundo o delegado, as investigações comprovam conivência entre representantes das duas empresas, originando assim o indiciamento de seus responsáveis.
 
Na coletiva, Cassola e o delegado seccional Marcelo Carriel exibiram um organograma ilustrado com uma foto da fachada da sede da GSP Medical, situada na Vila Carrão, em São Paulo, que está com as portas fechadas, aluguéis e contas atrasadas. Documentos levantados mostram ainda que o objeto social da GSP Medical se alterou bastante, sendo de educação infantil (pré-escola) em 2005, de comércio varejista de hortifrutigranjeiros em 2011, e em 2012 se alternando entre manutenção de redes de distribuição de energia elétrica, instalação e manutenção elétrica (GSP Telecon Ltda), comércio varejista de outros artigos de uso doméstico não especificado anteriormente, comércio varejista de artigos médicos e ortopédicos (GSP Medical Ltda).
 
 
Defesa
 
 
O advogado José Domingos Valarelli Rabello disse ontem por telefone que processos visando à aquisição de equipamentos não passavam por seu crivo, sendo de responsabilidade apenas da parte administrativa da Santa Casa, e que, portanto, não conhece nenhum fornecedor do hospital, além do que, se tal negociação apontada pela polícia tivesse chegado ao seu conhecimento, teria impedido a realização da compra. Ele, que prestou depoimento ontem pela manhã, quando também foi indiciado, disse estar tranquilo e que sempre teve postura ética nas esferas pessoal e profissional.
 
O advogado David Ferrari Júnior, que acompanhou o ex-encarregado de compras da Santa Casa, João Tadeu Rocha, ontem pela manhã na Seccional, disse que a função de seu cliente no hospital era a de dimensionar a necessidade da compra do gerador e sua potência e fazer orçamentos, tendo porém opinado pela compra pela empresa Stemac pelo fato de que a mesma já era prestadora de serviços técnicos para a Santa Casa, tendo inclusive, em época anterior, vendido um gerador de menor potência para a Irmandade. Ferrari Júnior pontuou ainda que João Tadeu Rocha não participou das reuniões da diretoria e nem da efetuação da compra, e que na data da entrega pelo caminhão da Stemac, o ex-provedor José Antonio Fasiaben é quem teria se apossado da nota fiscal, levando-a para o setor administrativo. O advogado comentou que seu cliente foi funcionário da Santa Casa por mais de uma década e está tranquilo, acrescentando ainda que o indiciamento é um ato de processamento da convicção da autoridade policial, mas que a avaliação será pelo Ministério Público e Judiciário.



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