SOROCABA E REGIÃO

Moradores denunciam invasões no Carandá


Síndicos e moradores denunciam a invasão de apartamentos nos condomínios do Residencial Carandá, localizado na zona norte de Sorocaba. Segundo eles, unidades que estão desocupadas ou que os donos receberam as chaves, mas ainda não se mudaram, estão sendo alvos de invasões. Somente na semana passada, no condomínio Copaíba, pelo menos dois apartamentos foram invadidos. Os imóveis tiveram as portas arrombadas durante a noite. O barulho chamou a atenção dos vizinhos, que acionaram o síndico. A ocupação dos 2.560 apartamentos do Carandá, divididos em 16 condomínios, teve início em março deste ano, e foi marcada por uma série de problemas.





A Prefeitura de Sorocaba disse, por meio de nota, que as secretarias competentes (SEHAB e SESDEC), com a Guarda Civil Municipal (GCM), a Construtora Direcional e o Banco do Brasil, estão fazendo o levantamento exato dos apartamentos que foram ocupados de maneira irregular. Além disso, a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária (SEHAB) já comunicou a Secretaria de Assuntos Jurídicos e Patrimoniais (SAJ) sobre as ocupações irregulares e que a Secretaria está tomando as providências judiciais cabíveis. Segundo a SEHAB, 143 candidatos que tiveram seus cadastros aprovados durante o processo desistiram do atendimento em sua etapa final.

Segundo o síndico do condomínio Copaíba, Antonio Luiz Pereira, as invasões de dois apartamentos no local ocorreram na semana passada durante a noite. Ele acredita que as pessoas que ocuparam os imóveis entraram no condomínio pulando a grade e em seguida arrombaram as portas. "Como eles fizeram barulho os vizinhos perceberam uma movimentação estranha e me chamaram. Como eram pessoas que nunca tínhamos visto pelo Carandá, eu perguntei sobre a documentação dos apartamentos e eles não souberam responder. Somente depois de muita conversa os imóveis foram desocupados".
Na manhã desta quarta-feira (13), o Cruzeiro do Sul esteve no Carandá e teve acesso às duas unidades invadidas no condomínio Copaíba. Em um dos imóveis ainda havia alguns objetos dos invasores como toalhas de banho, cobertor, copos na pia da cozinha, entre outros. Segundo o síndico, assim que ocupam os apartamentos, os invasores costumam colocar cortinas em todas as janelas para não chamar a atenção dos vizinhos.
Embora ainda não exista um número exato de apartamentos que já foram invadidos no Carandá, segundo o síndico, além do Copaíba, em pelo menos outros seis condomínios também foram registrados casos de invasões de unidades que estavam desocupadas. Antonio Luiz conta que os imóveis invadidos são aqueles que ainda não foram ocupados pelos proprietários ou porque eles não assinaram o contrato com o Banco do Brasil, que é o órgão financeiro do Residencial, ou em alguns casos os donos pegaram as chaves, mas não se mudaram.

"Além do Copaíba, já houve casos de invasões de apartamentos nos condomínios Buriti, Jerivas, Manacá, Cambará, Aroeira e Paineiras. Praticamente todos os 16 síndicos já relataram o problema para a Prefeitura de Sorocaba e estamos aguardando uma solução". Para ele, a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária (SEHAB) está demorando para destinar as unidades que estão desabitadas para outras pessoas que estão na lista de espera. "Há moradores que não assinaram o contrato com o banco e acredito que já desistiram do imóvel. Ou ainda pessoas que pegaram as chaves, mas nunca se mudaram. Nos mudamos há cinco meses para o Carandá, então, a Prefeitura precisa resolver esse problema e chamar outros interessados. Caso contrário, as invasões irão continuar e isso é um risco tanto para os moradores como para os síndicos, que são obrigados a desocupar os imóveis na maioria dos casos".
De acordo com o síndico do Copaíba, ele teve que conversar com os invasores e pedir para que deixassem os imóveis. "Infelizmente não tivemos ajuda da Polícia Militar e nem da Guarda Civil Municipal (GCM). E se essas pessoas estivessem armadas?", questiona Antonio Luiz.
Já no condomínio Manacá, segundo os moradores, pelo menos três apartamentos foram invadidos e as pessoas continuam morando no local. Por medo de represálias, o síndico do Manacá não quis falar com a reportagem. De acordo com relatos dos moradores do condomínio, que também têm medo das invasões, o caso das unidades invadidas foi comunicado para a Prefeitura e viaturas da GCM foram até o local, mas não encontraram as pessoas nos imóveis. E no dia 7 de setembro, a própria GCM esteve no Carandá para impedir a ocupação ilegal de apartamentos.


Prefeitura diz que 115 famílias não se mudaram
A Prefeitura de Sorocaba afirma que 115 famílias que foram sorteadas para ocupar os apartamentos do Residencial Carandá ainda não compareceram para assinar os contratos dos imóveis. Segundo a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária (SEHAB), que está fazendo um levantamento da situação, elas fazem parte de uma lista de 142 candidatos que tiveram seus cadastros aprovados em todas as etapas do processo habitacional, entretanto não assinaram seus contratos junto ao Banco do Brasil, financiador dos imóveis junto às famílias.
"Dos apartamentos que ainda estavam vagos por falta de assinatura 5 foram sorteados novamente entre os idosos cadastrados no programa. Outros 22 candidatos foram convocados pela SEHAB para a assinatura do destrato do contrato, mas até agora não compareceram", afirma a Prefeitura.
Uma reunião para tratar do assunto foi realizada na tarde desta segunda-feira (11) na SEHAB com os envolvidos no programa habitacional como a Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Brasil (BB), Construtora Direcional (responsável pela construção dos apartamentos) e as secretarias Jurídica e de Habitação da Prefeitura.
O Secretário da Habitação e Regularização Fundiária de Sorocaba, Jessé Loures, disse que a intenção é conhecer essas famílias e saber por que elas não assinaram seus contratos ainda. "A partir disso, poderemos chamar outros interessados que estão devidamente cadastrados em programas sociais".



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