SOROCABA E REGIÃO

Furto de cabos telefônicos deixa Capoavinha sem comunicação



Distantes cerca de dez quilômetros do centro de Votorantim, os moradores do bairro Capoavinha enfrentam o dilema de não poderem se comunicar. O problema afeta, calcula-se, quase 300 famílias que não têm como fazer ligações telefônicas (nem mesmo de celular) ou acessar a internet.

Tudo porque a região não dispõe de cabeamento próprio. O recurso deveria ser disponibilizado pela operadora Vivo, mas desde cinco anos para cá, quando a área começou a ficar mais densamente povoada, conforme relatos dos que lá vivem, e apesar das reclamações (várias delas por escrito, inclusive), nenhuma providência foi tomada.

Questionada, a empresa divulgou nota na qual informou que deverá estudar o caso e avaliar que medidas colocará em prática para atender à reivindicação. Não estipulou, porém, prazo para que isto aconteça. A reportagem esteve no local e apurou que o problema começa na principal via de acesso ao bairro.

Curiosamente, o trecho inicial da rua, de uns 300 metros, é cabeado, o que permite que poucas residências tenham o serviço. A dona de casa Cinira Pontes até estranhou quando perguntada se enfrentava dificuldades para se comunicar. "Aqui? Não, não tenho problema, não. Até agora há pouco estava falando no celular", disse.

A partir dali, entretanto, ninguém mais consegue estabelecer contato com o resto do mundo. O comerciante Jurandir de Souza, proprietário de uma mercearia localizada pouco depois do poste até onde o cabo vai, não se conforma: "É só por Deus mesmo. Não dá para acreditar que quase 300 famílias, ou mil pessoas, fiquem sujeitas a essa situação. Já fizemos de tudo, mas não há quem nos ajude. Nem a Prefeitura deu conta disso."

A Secretaria da Comunicação de Votorantim informou que a responsabilidade pela instalação do cabeamento é da operadora e que não pode, até por questão técnica, executar qualquer serviço com esse objetivo. Odila Ribeiro, outra moradora, também protestou: "Isso aqui está largado. Falta de tudo. Essa história do telefone já é antiga, cansamos de reclamar, mas só lembram da gente em época de eleição. Se acontecer alguma emergência, estamos todos perdidos. Nem aparelho comunitário existe."

Esdras Junqueira diz que o serviço é privilégio para poucos, mais exatamente de indústrias instaladas na região. Duas delas pagaram para que o cabo chegue até suas sedes e, com isso, conseguem manter um canal de comunicação. "Dá até raiva de ver o cabo aqui em cima passando e só atendendo a quem pode pagar. O pobre mesmo não tem vez."

Geraldo Souza foi além e citou que uma indústria de grande porte que tem sua fábrica próxima conta até com antena de captação própria. "Eles chegaram a falar com o pessoal daqui e ofereceram estender o cabo, mas iriam cobrar R$ 480 de cada interessado. Ninguém concordou porque está caro demais. Além disso, é nosso direito ser atendido pelo serviço."



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