SOROCABA E REGIÃO

Anselmo volta à Câmara para votar pró-Crespo


A Prefeitura destacou o secretário de Relações Institucionais, Anselmo Neto (PSDB), para reforçar a margem de votos na sessão desta quinta-feira da Câmara quando será votado o parecer da Comissão Processante, que recomenda a cassação do mandato do prefeito José Crespo (DEM). Ainda não se sabe se o retorno se dará apenas por uma sessão, ou se o secretário reassumirá de vez a vaga.

Uma reunião na manhã desta quarta-feira (23) coordenada pelo chefe de Gabinete, Hudson Zuliani, com o próprio Anselmo e também com o secretário de Recursos Humanos, Marinho Marte (que pode somar no time situacionista da Câmara) definirá a estratégia que será colocada em prática para livrar o prefeito da perda do cargo. São necessários 14 votos, o equivalente a dois terços da composição do Legislativo, para que isto aconteça.

A decisão foi anunciada ontem à tarde durante reunião com o grupo que apoia a atual gestão e foi determinada, também, pela declaração antecipada de voto do tucano JP Miranda. À tarde, o vereador, que é suplente e cederá a vaga ao titular, concedeu entrevista na qual anunciou que votará (se estiver na sessão) pela aprovação do parecer.

Em nota, a Secretaria da Comunicação e Eventos (Secom) informou que Crespo se mantém tranquilo e que o embasamento para a votação é falho. Embora tenha sido confirmado por lideranças partidárias, a designação de vereadores que hoje fazem parte do secretariado não foi confirmada pela Secom. "Ainda não há definição quanto a isto", afirma o texto. Da mesma forma, o Paço ainda não definiu se Crespo, ou seu advogado, participará da sessão de amanhã para a defesa a que tem direito. Ele dispõe de duas horas para tanto.

Segundo o líder Fernando Dini (PMDB), cinco vereadores, incluído ele próprio, estiveram no sexto andar. São eles: Rafael Militão (do mesmo partido); Luis Santos (Pros); Irineu Toledo (PRB), e Pastor Apolo (PSB). Também convidados, os tucanos José Francisco Martinez e João Donizeti Silvestre não compareceram.

Martinez, porém, justificou a ausência. Dini afirmou que Crespo está sereno e confiante por acreditar que não cometeu crime algum. Ele tem como certo que reverterá a situação e que o parecer que aponta para sua cassação será rejeitado. Ainda conforme Fernando Dini, o prefeito não fez qualquer pressão ou exigência aos aliados. Chegou a dizer, conforme o vereador, que respeita a posição de JP Miranda, já que isto "faz parte do jogo democrático". No contato com os jornalistas, JP disse não depender do salário e que segue orientação partidária. Na segunda-feira, o diretório municipal do PSDB divulgou nota na qual reafirmou ser oposição, mas também destacou a independência dos parlamentares que ocupam assento na atual legislatura.

Segundo o vereador, o município está submetido a um desgoverno e a população é mantida refém de uma "briga doméstica" entre o prefeito e a vice. "Respeito ambos, mas o fato é que a cidade está parada e precisa retomar a sua agenda. Há quase dois meses não se fala de outra coisa que não seja a crise política. O povo quer soluções, quer ver atendidas suas prioridades, suas demandas".

Expectativa

Nenhum dos dois lados arrisca fazer prognóstico sobre o resultado da votação da sessão de amanhã. Os oposicionistas, entretanto, alegam levar certa vantagem. Os líderes das bancadas do PT, do Psol, e do PCdoB, que formam o chamado bloco de esquerda na Casa, Francisco França, Fernanda Garcia, e Renan Santos lamentaram o atual estado de coisas na cidade.

"Ninguém aqui esperava testemunhar tantas irregularidades. Somos oposição ao governo e não ao Município, ao povo. E, se para as coisas voltarem nos eixos, é necessário que haja cassação, temos de votar por essa medida", destacaram. Apesar da expectativa, reuniões devem ser realizadas entre as lideranças partidárias para definir posicionamentos.


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