SOROCABA E REGIÃO

Doação à Santa Casa motiva novo inquérito


A Delegacia Seccional instaurou nesta terça-feira (22) o sétimo inquérito policial para apurar denúncias contra a Santa Casa de Misericórdia sobre possíveis irregularidades, que teriam ocorrido na gestão do ex-provedor José Antônio Fasiaben. Desta vez, o requerimento apresentado pela direção atual da Irmandade solicita apuração em relação à doação de mais de R$ 400 mil recebida em 2013 por meio do Rotary Club Sorocaba - Leste, destinada à aquisição de equipamentos para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica e oncologia. De acordo com as suspeitas, apenas R$ 170 mil do montante teria sido utilizado na aquisição dos equipamentos. Além disso, o Rotary teria recebido, numa espécie de devolução, 10% do total doado. O então advogado da Irmandade, e também ligado ao Rotary Club local, José Domingos Valarelli Rabelo, disse que se pronunciará diante das autoridades policiais, mas afirmou que tudo foi feito corretamente, sem margens para dúvidas. O ex-provedor da Santa Casa foi procurado por telefone, mas segundo sua esposa ele está com pneumonia e provavelmente não se manifestaria. A família não passou o contato de seu advogado.

De acordo com o advogado Pedro Augusto Marcello, da atual gestão da Santa Casa, o requerimento solicitando abertura de inquérito policial foi determinado pela Superintendência da Irmandade "pelas inconsistências dos documentos" analisados por uma auditoria iniciada recentemente. Entre as tais "inconsistências", o advogado citou dois itens: o primeiro referente à falta dos balanços contábeis no período de 2014 a 2016, e o outro sobre a doação de R$ 406.850 feita pelo Rotary Club Sorocaba - Leste para a compra de equipamentos para UTI pediátrica e tratamento de câncer. O recibo referente à doação está datado de 21 de agosto de 2013.

Outro ponto, segundo o advogado, é o cheque nominal ao Rotary Club Sorocaba - Leste, no valor de R$ 42.400, o equivalente a 10% do valor total doado, mas que é datado de 3 de julho, ou seja, anterior à doação realizada.

Ainda segundo o advogado, causa estranheza que, em meio à documentação, há a informação que a doação estaria condicionada ao pagamento antecipado de uma parte do valor total para o clube de serviço. Ele disse ainda que a nova gestão teria sido alertada sobre esses pontos por funcionários que trabalhavam no hospital na época em que a transação financeira foi feita.

Projeto viabilizado

Administrador desde 2001 do Rotary International pelo Distrito local, José Domingos Valarelli Rabelo, que em 2013 também era advogado da Irmandade, explicou ontem por telefone que o projeto de aquisição dos referidos equipamentos era de alto custo e que todos os projetos podem ocorrer por recursos próprios do Rotary local, ou tais recursos podem ser compostos com outros Rotarys e até mesmo pela própria entidade a ser beneficiada, nesse caso a Santa Casa. Sobre esse caso específico, ele disse que a Santa Casa complementou os recursos com cerca de 10% do valor, a fim de viabilizar o projeto e destacou: "quem não quer doar 10% para receber 100%"? Ele acrescentou ainda que a entidade fez a compra de todos os equipamentos para o serviço de oncologia com os recursos obtidos do Rotary, o que pode ser comprovado por meio de notas fiscais, no valor total de R$ 400 mil. De acordo com ele, todos os equipamentos foram devidamente entregues à Santa Casa, sendo que alguns ainda permanecem encaixotados, ainda sem utilização.

Irritado com as posturas tanto da atual administração da Irmandade por não pedir explicações antes mesmo de recorrer à polícia, quanto da Polícia Civil em fazer coletiva, Rabelo especificou ter sido governador do Rotary entre 2001 e 2002, e que por conta disso foi, em 2013, um dos gestores do projeto. Disse ainda que em mais de 25 anos de trabalho à frente do clube de serviço, nunca houve nada que o comprometesse.

Investigação

O delegado seccional Marcelo Carriel enalteceu o clube de serviço e o valor para a sociedade, mas disse que será investigada a destinação da verba e se houve desvio. Os inquéritos anteriores sobre a Santa Casa, dos quais ele lembrou que cinco já estão concluídos e o sexto em andamento, foram finalizados entre dois e três meses, e que esse deve seguir a mesma previsão.

O delegado assistente Alexandre Cassola, que irá presidir o sétimo inquérito, disse não ter detalhes sobre o caso, tendo em vista apenas saber das dúvidas apresentadas pela nova gestão da Santa Casa.



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