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Diverticulite - Uma doença comum nos idosos


Mário Cândido de Oliveira Gomes

Existem pessoas que apresentam pequenas bolsas no intestino grosso (divertículo), que ocorre em 1/3 da população com 50 anos e 2/3 na idade de 80. Portanto, é uma das doenças mais comuns na civilização ocidental. A inflamação dessas bolsinhas é conhecida por diverticulite, que aparece em 10% a 20% dos casos.

Felizmente, a doença (diverticulose) permanece sem sintomas na maioria dos casos, porém, as complicações são frequentes e temíveis, como a hemorragia intestinal, fístulas (bexiga, etc), abscessos, perfurações, peritonite, etc. Até o momento a medicina não sabe por que ocorre a diverticulose, mas existem algumas explicações, como o envelhecimento, aumento da pressão dentro do intestino e, principalmente, a diminuição de fibras na dieta.

Realmente, nas sociedades ocidentais a prevalência da doença diverticular cresceu rapidamente 30 anos após a introdução das fábricas de moer grãos, que provocou a diminuição de fibras na alimentação. Ainda, a ingestão de carne de vaca, gordura animal e sal também é apontada como causadores da doença. Desta forma, a diminuição de fibras ocasiona a redução do volume das fezes, que precisa de maior contração dos intestinos para expulsar o material, aumentando a pressão e criando as mencionadas bolsas.

Ainda, a utilização de vasos sanitários aumenta a pressão no intestino grosso, em relação à posição de cócoras usada no passado. A diverticulose do lado direito é mais frequente entre os asiáticos, enquanto do lado esquerdo é mais incidente entre os ocidentais, em virtude da cultura e da dieta. O indivíduo com diverticulite apresenta febre alta, calafrios, mal-estar, diarréia e, principalmente, dor intensa e súbita na barriga. A dor pode simular uma úlcera, apendicite, inflamação do pâncreas, da vesícula biliar, etc, na dependência da localização dos divertículos no intestino grosso.

O quadro é sempre mais grave nos jovens e idosos, sendo necessária a intervenção cirúrgica. A perda de sangue vivo pelo ânus é mais frequente nas hemorróidas, pólipos, tumores e malformações, confundindo com o sangramento do divertículo indolor. A prisão de ventre também pode ocorrer na diverticulite, porém, as diarréias são mais frequentes.

O diagnóstico de diverticulite é clínico, mas pode ser confundido com outras doenças intestinais (polipose, câncer, etc). geniturinárias, ginecológicas e neoplásicas. Na dúvida, fazer exames radiológicos dos intestinos, como enema com contraste, tomografia computadorizada, ultrassonografia e até endoscopia (colonocospia), que permite, ainda, o diagnóstico de colite infecciosa, tumor, isquemia decólon (falta de sangue), etc.

A doença diverticular com hemorragia é extremamente grave e exige intervenção imediata, tendo em vista a imensa quantidade de sangue perdido pelo intestino grosso. As crises repetidas podem acarretar obstrução do intestino, assim como o aparecimento de fístulas, que une o intestino à bexiga, pele e vagina.

O tratamento vai depender da gravidade do caso e das complicações. Felizmente, a maioria dos episódios de diverticulite é de gravidade leve a moderada, sendo tratados no domicílio com dieta de eliminação de líquidos, antibióticos (sulfas, etc) e antiinflamatórios, que melhora o quadro em 48 a 72 horas. Em 20% dos casos o quadro não melhora, com necessidade de hospitalização e cirurgia. A diverticulite, embora bem conhecida dos médicos, continua a criar problemas que desafiam a medicina, pois pode permanecer assintomática por toda a vida.

Artigo extraído do livro Doenças - Conhecer para prevenir (Ottoni Editora), de autoria do médico Mário Cândido de Oliveira Gomes, falecido aos 77 anos, no dia 6 de junho de 2013.


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