SOROCABA E REGIÃO

Procura por penhor cresce 17% no 1º semestre na região de Sorocaba


Na hora de enfrentar a crise e a falta de dinheiro, muita gente tem optado pela antiga prática do penhor. Somente no primeiro semestre deste ano, o serviço, oferecido pela Caixa Econômica Federal (CEF) movimentou R$ 33,4 milhões na região de Sorocaba. O volume é 17% maior que o montante registrado no mesmo período de 2016, que foi de R$ 28,4 milhões, e que atingiu os R$ 58,7 milhões no fim do ano. O aumento segue a tendência registrada pela CEF nas movimentações da transação pelo País, que chegou a R$ 7,3 bilhões em novos penhores ou renovação de contratos já existentes -- 11,3% mais que em 2016.
 
Na região, são duas as agências da CEF que oferecem o penhor: a localizada na rua Álvaro Soares, no centro de Sorocaba, e a rua Sete de Setembro, em Itu. Segundo o banco, são aceitas joias, em ouro, prata, diamantes e pérolas, além de relógios e canetas de alto valor. E a explicação para tanta procura por esta linha de crédito está na pouca burocracia e rapidez. Segundo o banco, não há necessidade de realizar a avaliação de risco de crédito -- pois a garantia é a própria joia -- o que propicia que até clientes negativados possam obter o valor emprestado, calculado a partir da avaliação de quanto vale a joia ou acessório penhorado. A taxa desse empréstimo está em 2,10% ao mês. "Já é a terceira vez que venho penhorar meu cordão de ouro", contou o comerciante Henrique de Oliveira Andrade, de 29 anos. Ele diz que a falta de burocracia foi o principal motivo que o levou a se tornar adepto do penhor, apresentado por um amigo. Com 80 gramas de ouro consegue emprestar cerca de R$ 3.800 e pagar em alguns meses, com pouco acréscimo. "Trabalho com comércio. Esse dinheiro me ajuda a comprar à vista, mais barato, para depois vender." A joia, que ele mesmo mandou fazer anos atrás, tem valor afetivo e Henrique diz que, quando não está penhorada, está em uso. "É até melhor, evita que aconteça alguma coisa com ela", falou, referindo-se ao armazenamento seguro das peças, que ficam guardadas no cofre do banco.
 
De acordo com Marcelo Becheli, superintendente regional em exercício da CEF na região de Sorocaba, o penhor é uma transação acessível a todas as pessoas. Porém, muita gente ainda não conhece. "Não é um serviço que está presente em todas as unidades, por isso a divulgação acaba sendo menor. Mas quem já conhece acaba optando, principalmente em razão dos juros serem mais baixos, se comparados com os de outras modalidades." Ele explica que o valor possível para liberação é calculado a partir da avaliação da peça, que é feita pelo próprio funcionário do banco. "O contrato também é assinado na hora e é feito, normalmente, por 180 dias, podendo ser renovado." Essa transação era aguardada, na tarde da última quinta-feira, por uma mulher de 40 anos que preferiu não se identificar. Pela primeira vez na agência, ela contou que nunca imaginou que um dia a situação financeira ia apertar e ela teria que recorrer a um empréstimo. "Meu pai que comentou que eu poderia fazer isso. Mas nem sei qual o valor que vai dar." Em mãos, ela levava alianças, um anel de formatura e alguns relógios. "Estavam todos guardados em casa."
 
Garantia
 
Como as joias são a própria garantia do empréstimo, o pagamento -- em uma única vez ou parcelado -- da linha de crédito é essencial para que o proprietário possa, ao fim do contrato, ter a peça de volta. Segundo a CEF, após 30 dias de inadimplência é iniciado o processo de licitação do bem. O cliente é notificado para regularizar seu contrato. Caso isso não aconteça, as peças vão para leilão. O banco reitera, entretanto, que o foco do penhor não é o leilão das joias, mas sim a concessão do crédito. Até a data da venda o cliente pode regularizar seu contrato através da quitação ou renovação.
 


OCULTAR COMENTÁRIOS
comments powered by Disqus