ECONOMIA

Fechamento de empresas cresce 5% em Sorocaba


Suportar a prolongada duração da crise econômica do País fica cada vez mais difícil para muitas empresas. No primeiro semestre deste ano 1.233 empresas fecharam as portas em Sorocaba. O número é 5,6% superior na comparação com os primeiros seis meses de 2016, quando 1.167 negócios foram dissolvidos.

Atualmente, Sorocaba teria 74.444 empresas ativas. As informações foram levantadas pelo economista Rafael Muscari, da Associação Comercial de Sorocaba (Acso), com base em dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). Em relação ao número de empresas houve crescimento de 3,2% em relação a 2016, pois o surgimento de novas (principalmente micro e pequenas) suplantaram às que encerraram as atividades.

Segundo especialistas, embora alguns indicadores econômicos tenham apresentado melhoras, muitas empresas ainda sofrem com os efeitos das condições severas da recessão que atingiu o Brasil. A expectativa, no entanto, é de melhora para este segundo semestre de 2017.

Sobrevivência

Para o presidente da Associação Comercial de Sorocaba (Acso), José Alberto Cépil, o empresário é um exemplo de resiliência. "Ele é um sobrevivente nesse mercado brasileiro que não está fácil, mas acredito que melhore nesse segundo semestre", afirma. Cépil destaca que o fechamento costuma ocorrer quando realmente não há mais opções, e que o fim de um negócio é algo que reflete negativamente em toda a sociedade.

O presidente da Acso acredita que seja preciso capacitar os empresários e fortalecer o comércio local. A Acso inclusive, cita ele, lançou o projeto "Você compra, a cidade se transforma", com o objetivo de estimular os sorocabanos a comprarem em estabelecimentos do próprio município, contribuindo para a economia local.

"Nós temos que trabalhar fortemente para fortalecer as empresas", avalia. Segundo ele, a Acso oferece cursos e capacitações voltadas ao empresários, que podem ser conferidos no site www.acso.com.br/

Competitividade

O economista e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), Marcos Canhada, explica que os sinais recentes de crescimento (nos últimos meses) ainda não é o suficiente para superar o tamanho dos problemas. Neste momento é essencial que o empresários atuem nos custos e busquem aumentar a competitividade de mercado para sobreviver. "As empresas precisam otimizar seu resultados para conseguir", observa.

Assim como Cépil, Canhada ressalta que o fechamento de uma empresa provoca um efeito em cascata. Além do desemprego dos funcionários, muitos empresários encerram os negócios já endividados. Outra questão são os fornecedores, que em alguns casos dependem de determinados clientes. "Existem empresas que trabalham em função de outras", analisa.

O economista acredita que o País tem potencial para crescer, mas ainda depende questões políticas. Com muitos processos ainda em investigação, a estabilidade política segue em dúvida. "Toda essa desconfiança acaba gerando um impacto no aspecto econômico", diz. Ele observa que a expectativa de crescimento esperada ainda é "pífia" em relação ao que o Brasil necessita para sair de vez do sufoco.

Recuperação judicial pode ser alternativa



Nos escritórios de advocacia a procura pela recuperação judicial aumentou devido à crise econômica. O advogado Cícero Camargo e Silva, do escritório CSDS, percebe um maior interesse pelo recurso que dá uma sobrevida à empresa. "O objetivo (da recuperação judicial) é salvar uma empresa que é viável, mas está em dificuldade econômica", diz ele.



O advogado conta que antigamente existia a concordata e a falência, mas uma lei federal de 2005 substituiu a concordata pela recuperação judicial. Nesse tipo de ação, a empresa deve ingressar na Justiça com um plano de pagamento dos credores, demonstrando como pretende honrar essas dívidas e expondo sua viabilidade econômica. Os credores são convidados, então, a aceitar ou recusar a proposta.



O advogado ressalta que se o plano for rejeitado, é decretada falência, e se for aprovado, mas depois descumprido pela empresa, também é decretada a quebra.



Na ação, são incluídas todas as dívidas que a empresa possuir até o ajuizamento do processo, inclusive as obrigações trabalhistas. Como o tempo de finalização da recuperação judicial varia -- em alguns casos pode levar até anos -- o empresário deve estar atento ao fato de que as dívidas adquiridas após o ingresso da ação não fazem parte do processo.



O advogado destaca os efeitos do fechamento das empresas na sociedade: o desemprego, a queda de consumo e da arrecadação tributária. "Uma empresa falida é uma roda que gira para trás", resume.


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