ECONOMIA

Preço da cesta básica tem queda de 3% em julho, a maior em 22 anos

Pelo quarto mês consecutivo o preço da cesta básica sorocabana registrou queda, desta vez de 3,06% passando de 595,92 para R$ 577,71 de junho para julho, uma diferença de R$ 18,21 a menos.  Foi a maior redução em quase 22 anos de pesquisa, segundo informações da equipe do Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas (LCSA), da Universidade de Sorocaba (Uniso).

Quando comparado com o mesmo período do ano passado  a queda foi ainda maior: 5,45%, o equivalente a R$ 33,32 pagos a menos pelo consumidor. No acumulado do ano, enquanto a taxa de inflação apresenta uma alta de 1,43%, no sentido oposto, a cesta básica apresenta uma queda de 3,44%. 

“Ao que tudo indica, essa redução está associada a uma melhora da atividade econômica, assim como vários fatores, como sazonalidade e queda na demanda de determinados produtos que exercem forte influência sobre os preços”, ressalta o economista José de Oliveira Machado. “A queda na inflação tem sido influenciada fortemente pela queda dos preços dos alimentos”, completa

o economista Lincoln Diogo Lima, coordenador da pesquisa. 

Dos 34 itens pesquisados na cesta básica sorocabana, 25 deles tiveram queda no preço e 9 registraram alta. A batata foi o produto que mais baixou, de R$ 2,38 o quilo em junho para R$ 1,73 em julho, ou seja, queda de 27,31%. “O resultado foi uma ótima safra que, dado uma demanda estável, levou a redução de preço”, afirma o coordenador da pesquisa. Outro item com queda considerável no preço foi o feijão carioca, de R$ 6,13 para R$ 5,57 (-9,14%). O motivo também foi a ótima safra aliada à importação do feijão argentino que costuma ocorrer nessa época do ano. 

Carne e leite

A carne de 1ª também apontou queda em julho, passando de R$ 23,05 o quilo para R$ 21,59, na média. “Entre os principais motivos está o reflexo da operação Carne Fraca, realizada em março, que afetou a demanda doméstica e externa negativamente. Mesmo com a redução dos abates por muitos frigoríficos, a oferta de carne ainda segue superior ao consumo, pressionando assim os preços para baixo” observa Lima. 

Já o leite longa vida apresentou uma queda de 4,96%, passando de R$ 2,82 o litro (junho) para R$ 2,68 (julho). Derivados do leite, como a muçarela, também seguiram no ritmo de queda, com redução de 4,28% em trinta dias. O quilo passou de R$ 24,54 para R$ 23,49. 

Tal queda é atípica, sendo a última para o mês de julho registrada em 2008. Nesse período do ano a produção de leite costuma ser menor devido ao clima mais seco e frio levando a alta de seu preço, destaca o estudo. No entanto, neste ano, além do clima ter sido mais favorável permitindo melhores pastagens e maior produção de grãos, contribuindo para a redução do custo da ração, também houve importação de leite uruguaio e argentino. “Assim, com o aumento considerável da oferta junto com a fraca demanda devido à crise econômica, o preço do leite apresentou queda”, diz o coordenador da pesquisa.

Em alta

Nove produtos da cesta básica sorocabana apresentaram alta, mas em apenas dois a elevação foi significativa. A cebola subiu mais (38,92%), passando de R$1,85 o quilo em junho para R$2,57 em julho. Este aumento se deve ao período de entressafra e também à redução da área plantada nesta temporada, que juntos contribuíram para a redução da oferta e, consequentemente, para o aumento do preço.

A farinha de mandioca foi o segundo item com maior elevação no preço, passando de R$ 3,37 (pacote de 500 gramas) em junho para R$ 3,74 em julho. O principal motivo para a alta foi o aumento do seu principal insumo, a mandioca, por causa do clima seco próximo à época da colheita, que reduziu a oferta. 


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