SOROCABA E REGIÃO

Crespo pede inquérito contra a vice-prefeita

Atualizada às 9h do dia 18/07

O prefeito José Crespo (DEM), em entrevista coletiva ontem, anunciou que enviou à Polícia Civil pedido de instauração de inquérito policial para investigar supostas crimes que teriam sido cometidos pela vice-prefeita Jaqueline Coutinho (PTB). No pedido, Crespo acusou Jaqueline de ter utilizado indevidamente os serviços de um motorista do Saae, identificado como Fábio Antunes Ferreira, como "marido de aluguel" (profissional que executa serviços de manutenção de residência).

Segundo Crespo, Fábio, em horário de expediente no Saae, fazia compras para ela e levava seus filhos à escola e seus pais ao médico. Crespo também disse que ele fora nomeado como comissionado por indicação de Jaqueline e o exonerou por conta das supostas irregularidades.

Por sua vez, Jaqueline disse que o funcionário trabalhava no Saae em horário regular. Segundo ela, algumas vezes ele ia à Prefeitura, no horário de almoço dele e, com o carro dela, pegava o seu filho na escola. deixava-o em casa e retornava ao trabalho. Ela informou que o seu pai também o requisitava para serviços remunerados de reparos e pintura e eram feitos em horários fora do expediente. "Em nenhum momento ele trabalhava para mim usando qualquer coisa da administração pública, jamais", rebateu a vice.

O prefeito adicionou às acusações o fato de que Jaqueline teria tido o apoio de um policial civil aposentado, que teria trabalhado com ela quando foi delegada, na investigação de escolaridade da assessora Tatiane Polis. O prefeito disse que o policial teria entrado em contato com uma faculdade local para obter informações sobre a assessora. Nesse contato, ele teria se passado por outra pessoa. "Isso chama-se crime de falsidade ideológica, até formação de quadrilha, e foi provocado pela vice-prefeita", disse Crespo.

Jaqueline explicou que desconhece o método de contato mencionado por Crespo. E também disse que o policial nunca foi seu assessor direto e não teve nenhuma ligação profissional com ele. Sabe que ele trabalhou no escritório político do ex-prefeito Renato Amary (PMDB) e também na campanha de Crespo no ano passado.

A vice-prefeita também comentou o seu afastamento da Prefeitura, determinado por Crespo, com ordem de desocupação de sua sala no sexto andar. Segundo Crespo, a medida foi tomada principalmente em razão de boletim de ocorrência feito na semana passada pela vice e pela presença "arrogante" dela na Câmara no mesmo dia, durante depoimento de Tatiane Polis na CPI que apura a crise entre o prefeito e a vice. Cresço usou esse desfecho para dizer que houve quebra de confiança entre ele e a vice.

Com a ressalva de que confiança implica moralidade e legalidade, Jaqueline reagiu: "Eu não sou cargo de confiança dele. Quem tem que ter confiança em mim é o eleitor que votou na chapa. Ele não era candidato sozinho. A candidatura era Crespo e Jaqueline." E ela acrescentou: "A minha obrigação é ser confiável, ser uma pessoa que tem credibilidade e agir dentro da legalidade com relação, sim, ao povo que me elegeu, com relação aos critérios da administração pública, dentro da moralidade." Afirmou que não quer desmoralizar ninguém.

Bolo da discórdia

Crespo disse que continuará a respeitar Jaqueline, que seguirá sendo vice-prefeita até o final do seu governo com recebimento de salário. Em defesa da assessora, ele elogiou sua participação no depoimento à CPI da Câmara que apura a crise, na sexta-feira. Ela pediu exoneração ontem e a decisão foi aceita pelo prefeito.

Segundo Crespo, a desavença entre Jaqueline e Tatiane começou na comemoração do aniversário da vice, durante a campanha eleitoral. Um bolo de chocolate comprado para a vice, acabou sendo levado por Tatiane para a sua casa.


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