SOROCABA E REGIÃO

Feira Beco do Inferno completa um ano e promete se expandir


Ao completar um ano, a Feira do Beco do Inferno, realizada na rua Leite Penteado, no centro de Sorocaba, tende a crescer e ocupar também um trecho da rua Ubaldino do Amaral. A possibilidade começou a ser cogitada como solução para acomodar mais expositores, tamanha a procura por participação do evento criado com o propósito de dar visibilidade ao trabalho dos artistas que não têm espaço no comércio tradicional. O nome do evento faz alusão ao apelido pelo qual aquela rua era conhecida até receber oficialmente -- em 1949, pelo então prefeito Gualberto Moreira -- o nome de José Leite Penteado, um abolicionista e deputado provincial sorocabano do século 19. 
 
Realizada no último domingo, em sua sétima edição, a feira, que começou no início de 2016 com 60 inscritos, reuniu em torno de 90 artistas, entre expositores, cantores e atores. Segundo a produtora cultural da feira, Lívia Maria Castilho dos Santos Poloto, já existem cerca de 140 interessados em participar. Por isso, já para a próxima edição, sem data ainda marcada, a organização deverá pleitear a interdição da rua Ubaldino do Amaral. Lívia Poloto também acrescentou que o sucesso da feira está associado à sua proposta inicial, que é de ser um evento plural, com o máximo de diversidade, bem como quebrar paradigmas das datas comerciais e apresentar trabalhos independentes. 
 
 
Autodefinição é de feira (des)organizada
 
"Feira (des)organizada por artistas onde arte, artesanato, música, teatro, performance, literatura e poesia acontecem ao mesmo tempo dentro de um beco no centro de Sorocaba. Surgiu a partir do desejo dos artistas em mostrar e vender seus trabalhos, coisas exclusivas que antes não tinham espaço comercial. A regra é que todos os "produtos" ali expostos ou vendidos tenham de ser feitos pelos próprios artistas e artesãos, sem passar por nenhum processo industrial ou ser reproduzidos em série. A feira nasce no Beco do Inferno e irá andando por aí, conquistando outros becos e praças pelo resto do ano levando muita criatividade, energia e alegria para todos os espaços que ocupar."
 
 
Local da feira era conhecido como Beco do Inferno
 
Segundo o historiador Maurício Sérgio Dias, no livro Minha rua, nossa história (Linc, 2002), existem duas versões para o nome Beco do Inferno. Uma delas é de que ali naquele beco eram despejados os barris com fezes e urina, recolhidos do prédio da cadeia pública e Câmara Municipal (que funcionava, em tempos passados, onde hoje é o prédio dos Correios, na esquina da São Bento com a Padre Luiz).
 
Os dejetos eram despejados em plena rua (que, certamente, não tinha moradores) e ficavam o dia todo exalando um cheiro terrível. 
 
Outra explicação para o nome Beco do Inferno -- esta menos corrente -- é de que aquela rua seria caminho para os escravos condenados a suplícios, rumo ao pelourinho, onde eram aplicados os castigos.
 
O fato é que a rua que antes repugnava os sorocabanos hoje se tornou uma atração turística, capaz de movimentar o centro de Sorocaba, normalmente modorrento e deserto aos domingos, uma vez a cada dois ou três meses. 
 
 
Na Beco do Inferno tem de tudo um pouco
 
A proposta de diversidade defendida pela organização da Feira do Beco do Inferno aparece nos trabalhos apresentados pelos artistas participantes. Quem vai até o local encontra desde objetos de decoração a plantas, acessórios, alimentos e muito mais. Os expositores, por sua vez, alguns até de outras cidades, enfatizam a importância da Feira do Beco do Inferno como mais uma forma de divulgar seus trabalhos. É claro que não dá para mostrar numa reportagem tudo o que tem por lá. Mas fica a dica para quem ainda não conhece o evento, procurar visitá-lo na próxima vez que ele acontecer.
 
Utensílios domésticos e também peças decorativas à base de cerâmica feita de argila esmaltada, e mosaico feito com pastilha de vidro, eram algumas das opções apresentadas na última edição. Natale Teixeira, que pela segunda vez participou da feira, comentou que as peças em argila esmaltada podem inclusive ser levadas ao forno convencional e também ao micro-ondas. Todos os itens, diz ela, são produzidos de forma totalmente artesanal, sem uso de tornos, e levam cerca de uma semana e meia para serem concluídos, contando desde a fase do manuseio, passando pela secagem, pintura e queima em alta temperatura. Além de utilitárias, as peças todas têm um design único, assegura a artista.
 
Também no conceito da decoração e utilidade doméstica, a artesã Maria Teixeira Roston apresentou almofadas em forma de corujinhas com espaço para colocar o controle remoto da TV. Outra proposta nesse sentido são as bolsas em tecido que, ao serem abertas, se transformam em toalhas, ideais para serem levadas à praia ou piscina. 
 
 
Minijardins
 
Para quem tem pouco espaço em casa, mas não abre mão do contato com a natureza, Janaína Peres Line oferecia pequenos terrários e minijardins. Os terrários, que consistem em pequenos autossistemas que se mantêm com ciclo de água dentro de vidro, podiam ser adquiridos em garrafas em formato de lâmpadas. Outra pedida para locais compactos são os minijardins, e até mesmo os kokedamas, uma espécie de bolo de musgo com terra, que faz a vez do vaso, bastando apenas umedecer de uma a duas vezes por semana, e que pode inclusive ficar pendurado.
 
O florista Félix Canassa, de Salto de Pirapora, que pela segunda vez esteve na Feira do Beco do Inferno, também apresentou várias opções para se ter uma casa florida mesmo sem muito espaço, e até mesmo uma horta. Uma das sugestões mostradas é a colomeia dobrada, própria para pouco espaço e que não necessita de sol. Outra é a maranta, folhagem que parece ter sido pintada à mão, e que, como o lírio da paz, são próprias para espaços internos. Tem ainda a flor sacura ou flor de cerejeira, que é uma planta japonesa e seu galho lembra o de uma árvore. Sobrevive ao relento e floresce no inverno. 
 
Arte afro em biscuit com material reciclado é a proposta da artesã Regina Vieira Pedroso, mais conhecida como Gina. Ela exibia diversas imagens de orixás feitos em biscuit, mas com base de cones de papelão, como os tubos de papel-toalha ou ainda de linhas e lãs. Os tamanhos são variados. Os orixás bebês podem enfeitar mesas ou se transformar em adereços presos com ímãs de geladeira.
 
Com uma técnica francesa de cartonagem coberta por tecidos sem costura, a artesã Bruna Simas levou para a feira desde bolsas, carteiras, blocos, bolsinhas para celular, caixinhas organizadoras, porta-retratos e até maletas. Em seu espaço, Bruna também tinha à venda kimonos em tecidos em algodão.
 
 
Poemas e geleias
 
A escritora paraense Jéssica Paola, autora do livro A mulher que morreu da linguagem, também lançado em Portugal, esteve presente na feira, ficando ao lado da exposição fotográfica de Amanda Fogaça, O invólucro da natureza que és tu mesma, baseada em seu livro e que ela própria serviu de modelo. Residente no Rio de Janeiro, Jéssica disse ter vindo para Sorocaba apenas por conta do evento, mas que havia gostado muito da proposta. Ela aproveitou para comercializar também seus outros dois livros.
Mas como ninguém é de ferro, e precisa comer, é claro que a feira também oferece uma grande variedade de alimentos, como as geleias artesanais feitas com açúcar orgânico e sem conservantes, em vários sabores, como cachaça, kiwi com pisco, manga e morango. 
 
 
Saiba como encontrar os produtos citados
 
Natale Teixeira (Cerâmica e Mosaíco) insta: @natardelli / (015) 9.9858-2311
Maria Teixeira Roston (Almofadas e Bolsas) e-mail: airamteixeira@hotmail.com
Bruna Simas (Cartonagem) insta: @coralinafeitoamao / facebook.com?coralinafeitoamao / e-mail: coralinafeitoamao@gmail.com / (15) 9.9186-0880
Janaina Peres Line (Terráreos) e-mail: viridario.atelie@gmail.com / www.facebook.com/viridario.minijardins / www.instagram.com/viridario / (15) 9.8806-8305
Félix Canassa (Florista) insta: @efeflorabrasil
Regina (Gina) Vieira Pedroso (Artes Afro em Biscuit) insta: @ginasbicuit / e-mail: ginablacksp@hotmail.com / (15) 9.8807-0896
Júnior Barros (Geleia) (15) 9.8173-4707
Jéssica Paola (Escritora) insta: @ichpaola / www.jessicapaola.com / (21) 9.6549-7653


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