SOROCABA E REGIÃO

Ônibus começam a sair das garagens na cidade


Os ônibus do transporte coletivo de Sorocaba começaram a sair das garagens aos poucos a partir das 14h08 desta quarta-feira (12), de onde partem para os pontos finais para iniciarem o atendimento a todas as linhas. A greve dos motoristas de ônibus de Sorocaba está suspensa desde as 14h desta quarta-feira (12). A decisão foi anunciada pelo Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região após reunião com vereadores na Câmara de Sorocaba durante a manhã. Segundo a entidade, foi concedido o prazo de 24h para que os parlamentares discutam com o prefeito José Crespo (DEM) uma força-tarefa para tentar resolver o impasse trabalhista.
 
Segundo o sindicato, caso não haja acordo nesse período, a paralisação será retomada na madrugada de sexta (14) e às 14h do mesmo dia deve ocorrer uma manifestação, que inicialmente estava marcada para quarta (12).
 
O sindicato se reuniu com vereadores, que cogitam a possibilidade de repassar os recursos economizados pela Casa Legislativa às operadoras do transporte urbano, para que seja concedido o reajuste salarial aos motoristas. O prefeito foi convidado a participar da reunião, mas não compareceu e não enviou nenhum representante. Também não estiveram na reunião responsáveis pelas operadoras do transporte coletivo, a Sorocaba Transportes Urbanos (STU) e a Consor. Os vereadores Rodrigo Manga (DEM) e José Francisco Martinez (PSDB) entraram em contato com a Wilson Unterkircher Filho, o Cuca, presidente da Urbes - Trânsito e Transportes e o mesmo alegou que não possui autonomia para negociar com o sindicato.
 
Cuca também informou, por telefone, que um documento havia sido protocolado por Crespo minutos antes da reunião. No ofício assinado pelo chefe do Executivo ele afirma que aceitaria a verba destinada pela Câmara "para minorar o enorme défice de mais de R$ 20 milhões". No documento, Crespo afirma que para aceitar a doação oferecida pela Câmara, seria necessária "uma análise técnica e jurídica". De acordo com secretária jurídica da Câmara, Márcia Pegorelli Antunes, os vereadores podem fazer a doação, mas não há como repassar o recurso legalmente condicionando o seu uso para o reajuste da categoria. Segundo ela, isso seria apenas acordado verbalmente, pois cabe ao Executivo transferir os valores para o caixa único da Urbes. 
 
Com a ausência do prefeito, os vereadores decidiram protocolar um documento solicitando uma reunião com Crespo hoje, após a sessão ordinária. Caso não recebam uma resposta, eles prometem subir ao 6º andar do Paço Municipal, a fim de serem recebidos por Crespo.
 
Trégua
 
A trégua de 24h na greve do transporte coletivo foi sugerida na reunião pelo vereador Renan Santos (PCdoB) e contou com o apoio imediato do presidente da Casa e demais vereadores presentes, sendo também aceita pelo sindicato. "Sugiro um prazo e a trégua na greve para demonstrar a boa vontade da categoria em negociar", disse Santos. 
 
O vereador Hudson Pessini (PMDB) observou que a população é a maior prejudicada com a greve de ônibus, relatando as dificuldades dos usuários. "Nem é papel do Legislativo resolver o problema da greve, mas a Câmara assumiu esse papel porque a sociedade está sendo prejudicada", afirmou. Martinez também ressaltou que "a população está sofrendo" e observou que "as pessoas estão perdendo consultas médicas" por conta da greve no transporte. Já o vereador Wanderley Diogo (PRP) criticou o que considera uma intransigência do Executivo em relação à greve.
 
Manga lamentou o não comparecimento de Crespo ao encontro e lembrou que em outras ocasiões, o próprio Crespo convocava reuniões com os parlamentares. "Quando é para debater algo que é de total interesse da população ele não vem, mas quando é véspera de votação de cargos comissionados ele nos chama para reunião, manda representantes na sessão", disse o vereador.
 
Também participaram da reunião os vereadores Fausto Peres (Podemos), Hélio Brasileiro (PMDB), Péricles Régis (PMDB), Silvano Júnior (PV), Iara Bernardi (PT), Francisco França (PT), Wanderley Diogo (PRP) e Vitão do Cachorrão (PMDB). 
 
Impasse
 
O presidente do sindicato Paulo Estáusia, durante a reunião, disse aos vereadores que inicialmente era pedido 6% de aumento real, mas para pôr fim a paralisação, os trabalhadores aceitam aumento no salário de 4% retroativo a maio, mais 1,57% de reajuste a partir de novembro. A categoria também quer que o tíquete-refeição passe de R$ 20 para R$ 21 e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) passe de R$ 1.500 para R$ 1.600. As empresas, entretanto, ofereceram apenas o reajuste de 4%. "Em todas as cidades da região nós conseguimos um reajuste justo para os trabalhadores e em Sorocaba não pode ser diferente", disse o sindicalista.
 
Segundo Estáusia, a diferença de 1,57% entre o que o sindicato pede e o que as empresas oferecem totaliza R$ 700 mil, para os pagamentos entre novembro deste ano até maio de 2017, próxima data-base da categoria. A Câmara, segundo Manga, pode "doar ao Executivo" R$ 3 milhões, o que colocaria um ponto final no impasse. 



Ofício




OCULTAR COMENTÁRIOS
comments powered by Disqus