CARTAS

Lava Jato


A operação Lava Jato perdeu um terço de seu orçamento anual, o que, claro, refletirá no andamento dos trabalhos. Aliás, não há (ou, pelo menos, não deve haver) ingenuidade nisto: é caso pensado. É, sim, uma forma de os políticos atrapalharem as investigações. Sem dinheiro, sem capacidade investigatória, sem punições.

Então, não é sem motivo que os governantes de plantão, atolados até o pescoço em denúncias, reduziram o orçamento da Polícia Federal e, de quebra, da equipe da Lava Jato.

Na verdade, está se fazendo de tudo para, de uma forma ou de outra, acabar com a Lava Jato. Ainda há pouco, até o ministro da Justiça foi trocado de supetão, sem explicação alguma e, imagine, num domingo. Tal fato é tão estranho que se assemelha em tudo ao encontro às escondidas do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista.

Toda a sociedade vem acompanhando que inúmeras operações de grande envergadura estão em andamento em vários estados; e, claro, diante de um cenário deste, o contingente de policiais federais especializados no combate à corrupção e lavagem de dinheiro em todo o País há de ser adequado e readequado.

Ora, dentro deste raciocínio, fica claro que, para o sucesso das operações, haveria, pois, a necessidade de injetar mais verbas ainda. Contudo, o que se está vendo é exatamente o contrário: os governantes (que também podem ser chamados de investigados) estão cuidando é de restringi-la.

Assim, ainda que medianamente consciente, não dá para acreditar que isso não causará problemas nos trabalhos. Crer nisto é desejar transitar pela mais pura balela, é acreditar também em histórias da carochinha e naquelas que se contam para boi dormir. Chega-se a ser totalmente desarrazoado imaginar que o efetivo atual está adequado à demanda existente. Já falta gente e, com o contingenciamento de recurso, faltará mais ainda, pois, a cada instante que se avança nas investigações, mais a necessidade de aumento no reforço de policiais se fará presente, sob risco de se perder todo o trabalho feito até aqui.

Destarte, se o que a sociedade ainda deseja e espera é que a Polícia Federal continue a combater a corrupção e consiga avançar na elucidação dos casos investigados, esta mesma sociedade deve estar bem atenta para se posicionar contra o tanto que os governantes (entenda-se e repita-se, investigados) estão se articulando no sentido de que este trabalho seja rapidamente prejudicado, atrapalhado, embaraçado e, por fim, paralisado.

Portanto, as forças vivas da sociedade que querem o prosseguimento das investigações e a consequente punição, devem se mobilizar e se manifestar contra este também criminoso contingenciamento de verbas imposto aos trabalhos da Polícia Federal.

EZIO VESTINA JUNIOR


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