SOROCABA E REGIÃO

Viciados da cracolândia da capital vêm para Sorocaba

Pelo menos dez dependentes químicos que viviam na região da Cracolândia, no centro de São Paulo, chegaram a Sorocaba nos últimos dias e ocupam, agora, espaços locais chamados de minicracolândias. A situação foi constatada por vereadores que integram a comissão que organizou um "arrastão" por pontos da cidade para conferir de perto o problema. Eles alertam para o risco desse número aumentar.

Num vídeo postado quinta-feira (8) em sua página na rede social Facebook, o presidente da Câmara, Rodrigo Manga (DEM), conversou com um viciado em crack que contou ter vindo para cá junto com outros nove amigos. A proximidade com a Capital foi o motivo alegado para a escolha do destino.

No balanço apresentado à imprensa no final da tarde, os políticos criticaram o descompasso e a falta de sintonia entre as Secretarias da Saúde e da Igualdade e Assistência Social, responsáveis pelas ações de enfrentamento do quadro. "Uma não dialoga com a outra, uma não sabe o que a outra faz", afirmou Rodrigo Manga.

Os vereadores entendem que as pastas se valem de um "jogo de empurra" e, com isso, deixam de atender aos necessitados. Nos contatos mantidos com os dependentes, ouviram relatos dramáticos como o de um ex-sargento da Marinha do Brasil que é refém do vício, mas procura por ajuda.

A comitiva esteve no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) III, na Vila Angélica, que mantém um cadastro com 2 mil pessoas (apesar de só estarem em atendimento cerca de 500 pacientes) e onde dois dos oito leitos disponíveis estavam ocupados. Ali, servidores contaram que a unidade recebe R$ 110 mil por mês da União para ações de atendimento executadas.

O dinheiro, no entanto, não é aplicado da forma como deveria. Do Caps os vereadores foram até a Santa Casa, sob requisição da Prefeitura, que estava com três dos dez leitos psiquiátricos também reservados a usuários de drogas ocupados.

Estiveram, ainda, com uma adolescente de 16 anos que se prostitui para conseguir dinheiro de que precisa para comprar a droga.

Em todos os locais, foram informados de que as equipes dos setores encarregados de cuidar da demanda nunca estiveram nessas localidades para, ao menos, fazer um mapeamento da situação. A primeira minicracolândia visitada pela Comissão fica nas proximidades do Paço Municipal, e lá cerca 25 pessoas consomem vários tipos de drogas.

No hospital, o médico Alexandre Coelho, plantonista do setor, que trabalha na Capital com um dos maiores especialistas em dependência química do país, Ronaldo Laranjeira, e afirmou aos vereadores que casos como o da jovem necessitam de uma estrutura organizada, direcionada aos dependentes químicos. Diante do que foi apurado, a comissão deverá, agora, elaborar um relatório da situação observado e encaminhá-lo à Prefeitura, ao Ministério Público para a possível tomada de providências e ao governo do Estado.

O outro lado

Em nota da Secretaria de Comunicação e Eventos (Secom), o governo municipal negou que existam minicracolândias em Sorocaba. A expressão, aliás, é refutada pela atual administração. "Não existem minicracolândias em Sorocaba. Em trabalho realizado pela Secretaria de Igualdade e Assistência Social, foram mapeados os pontos de concentração ou refúgio de usuários de drogas no município; muitos dos quais já foram dissolvidos pela ação assistencial desta secretaria ou a partir de ações das forças públicas".

O texto também nega que haja falta de sintonia entre as secretarias encarregadas de atender à demanda da dependência química em Sorocaba. As secretarias desenvolvem ações e projetos coletivos. Ainda conforme o comunicado, a Secretaria de Assistência Social realiza trabalhos de busca ativa das pessoas em situação de rua, usuárias ou não de drogas, visitando e avaliando locais de possível concentração e oferecendo atenção e assistência social.

Em relação à informação de que o governo recebe mensalmente da União recursos de R$ 110 mil, mas não aplica o dinheiro como deveria, conforme denunciado aos vereadores por funcionários do Caps III, a nota informa não ter sido possível responder, em razão do adiantado do horário.


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