SOROCABA E REGIÃO

Partidos dizem que a situação de Temer é grave


Dirigentes de partidos de Sorocaba consultados ontem pelo Cruzeiro do Sul concordaram que é grave a situação do governo Michel Temer em razão das denúncias de que ele teria dado aval ao empresário Joesley Batista, dono da JBS, para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha em eventual delação feita dentro da Operação Lava Jato.

Falaram, também, do pedido que o senador Aécio Neves (PSDB) teria feito aos mesmo executivo de R$ 2 milhões, dinheiro que usaria para pagar sua defesa no mesmo processo. Das três lideranças ouvidas pela reportagem, apenas o ex-prefeito Renato Amary, que está à frente do diretório peemedebista na cidade, disse que aguarda orientação das instâncias superiores da sigla para se posicionar.

"Estamos esperando que seja revelado o teor das acusações, os documentos e as gravações que afirmam existir e que está sob a guarda do Supremo Tribunal Federal para saber o que vai acontecer". Amary evitou falar sobre a possibilidade de renúncia de Temer, tese que é cogitada em Brasília.

"Não saberia dizer se é cedo ou tarde para tratar desse assunto. Eu já estive lá, fui deputado, conheço os meandros do Congresso e é difícil, agora, fazer qualquer prognóstico. Hoje, acompanho tudo o que se passa pela imprensa e é por ela, muito provavelmente, que vou tomar conhecimento do desfecho disso tudo".

PT quer renúncia

Pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o vereador Francisco França, recém-eleito para a presidência do diretório da sigla na cidade, afirmou que as acusações contra Temer "não constituem novidade". "Além de golpista, ele se revelou um grande negociador de propinas. Antes mesmo de cumprir o mandato, já estava implicado em questões que o colocariam como responsável por irregularidade; agora, no poder, só revelou melhor quem é".

França acredita que a saída menos traumática para a crise seria a renúncia. "É o mínimo que se pode esperar. Não existe condição moral dessa gestão se manter. A população não aguenta mais tantos escândalos. Se houver bom senso, é o que ele pode fazer de melhor pelo bem do país".

Ele defende uma ampla mobilização de setores organizados da sociedade (igreja, OAB, sindicatos) para que seja convocada uma constituinte e designadas novas eleições. "Se conseguiram fazer isso com as reformas, podem muito bem fazer com a nova Constituição. É só ter vontade que sai".

França também disse que a situação de Temer em nada muda, ou minimiza o comprometimento de seu partido em outras ações investigadas dentro da mesma operação. "Estamos tranquilos quanto a isso. Os fatos atribuídos a figuras do nosso partido são apurados, pessoas estão presas e respondem pelo que fizeram. Agora, ficou provado que o PT não é o pai da corrupção".

Também dirigente sindical, Francisco França avalia que o encaminhamento das reformas trabalhista e da Previdência que o governo federal pretende levar adiante não tem mais ambiente para acontecer. "Essa definição deverá ficar para o futuro. Agora, não há a menor possibilidade de tratarem dessa questão. Aliás, o Senado já disse que é pauta secundária".

Denúncias graves

O presidente do PSDB em Sorocaba, João Leandro da Costa Filho, avaliou as denúncias contra Temer como graves. Considerou a situação "insustentável" e, por isso, defendeu o afastamento ou a renúncia. "A situação política do País, que já era turbulenta, se agravou de forma acentuada após a publicação da matéria do jornal O Globo. Hoje, amanhecemos diante de uma situação de instabilidade total. É um momento em que as lideranças políticas, que ainda têm alguma credibilidade, pratiquem o juízo e muita responsabilidade. Não é o momento de se pensar ideologicamente e sim de colocar o país acima de tudo", disse.

Situação de Aécio

Sobre as acusações contra o tucano Aécio Neves, o petista Francisco França lembrou que ele é o segundo político mais denunciado nas delações da Odebrecht. "Pregava moralidade, posava de ético, mas foi pego com a boca na botija".

Já o presidente do PSDB local, João Leandro, afirmou que as denúncias envolvendo o senador Aécio Neves são "extremamente graves" e, por isso, defende que ele "renuncie imediatamente" à presidência nacional do partido (ele se afastou do cargo ontem à tarde). João diz que Aécio "não tem condições" de estar à frente da legenda neste momento e que caso as denúncias se confirmem o processo deve ser remetido ao Conselho de Ética para posterior expulsão.

Ele acrescentou que a presença de Aécio no comando do partido "mancha os demais componentes". "As denúncias são extremamente graves; gravíssimas. Elas terão de ser apuradas imediatamente. O presidente tem que deixar a sigla imediatamente. Não dá para ficar esperando para ver o que acontece para depois se tomar uma decisão", disse.

Conforme revelado pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, uma gravação mostra Aécio pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, dono da JBS, sob a justificativa de que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Operação Lava Jato. Joesley entregou a gravação à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em nota enviada à imprensa, o senador afirmou que a relação com Joesley Batista era "estritamente pessoal" e sem envolvimento com o setor público. O parlamentar afirma ainda estar tranquilo em relação aos seus atos.



OCULTAR COMENTÁRIOS
comments powered by Disqus