SOROCABA E REGIÃO

DDM investiga participação de jovem no jogo Baleia Azul


A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba vai investigar o envolvimento de um adolescente de 14 anos no chamado "Jogo da Baleia Azul". A série de 50 desafios supostamente promovidos em grupos on-line envolveria tarefas como automutilação e teria como missão final o suicídio. O garoto do caso, no entanto, parou o "jogo" na metade, sendo descoberto pela mãe, que fez a denúncia à delegacia. De acordo com a legislação brasileira, a indução, instigação ou auxílio ao suicídio é crime, chegando a pena de prisão entre 2 a 6 anos. Desta forma, os administradores desses grupos, que instigaram o garoto, poderão responder criminalmente.

A delegada da DDM, Ana Luiza Salomone, explica que as investigações ainda irão analisar as provas digitais e colher depoimentos. "Não temos nada efetivamente comprovado hoje", ressalta. A delegada conta que esse seria o único caso supostamente relacionado ao jogo registrado na cidade até o momento e lamenta o clima de alarmismo e a propagação de boatos.

O "jogo" teria surgido em uma rede social russa, mas as reais proporções e objetivos iniciais são de difícil apuração. No Brasil, comunidades fechadas do Facebook e grupos de WhatsApp estariam reproduzindo os 50 desafios, que envolveriam tarefas relativamente simples, como assistir a um filme de terror, passando por mutilação. "Curadores" seriam responsáveis por controlar se os jovens estão cumprindo as etapas, exigindo fotos como comprovação.

Tomando contornos de lenda urbana, alertas relacionados aos desafios se espalham pela rede e acabam atraindo ainda mais a curiosidade dos adolescentes, além de criar pânico entre os pais. Para Ana Luiza Salomone, é essencial que os pais conversem diretamente com os filhos sobre o assunto e supervisionem a vida virtual das crianças e adolescentes. Ao notar um possível envolvimento nesse tipo de grupo, os pais devem buscar auxílio profissional psicológico. "Precisamos entender em que momento ele (adolescente) ficou vulnerável", afirma.

Sociedade violenta

A psicóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) de Sorocaba, Ana Laura Schlieman, acredita que a propagação do jogo e a popularização do tema suicídio sejam um reflexo da sociedade depressiva e violenta em que vivemos. Ela destaca que o virtual é muitas vezes reflexo do real e os adolescentes angustiados podem encontrar no jogo um artifício para manifestar o que já sentem.

Recentemente, a série "13 Reasons Why", que aborda bullying e suicídio, se tornou também uma sensação entre os jovens. Essa repercussão teria aumentado o número de e-mails com pedidos de ajuda recebidos pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), que é indicado no site da série.

Para a psicóloga, os pais não estão envolvidos suficientemente na vida dos filhos, especialmente na internet. "Os pais hoje têm medo de colocar limites nos filhos", diz. O afastamento das famílias seria um dos problemas. "Você chega em um restaurante é o pai no celular, é a mãe no celular", descreve. Acompanhar as amizades, o desempenho escolar e mudanças de comportamento seria essencial. Ela alerta, também, que os pais não vejam o sofrimento nessa idade apenas como "uma fase" e se atentem aos sinais de problemas mais sérios, buscando auxílio psicológico. Além disso, defende que os jovens tenham desafios saudáveis, como acadêmicos por exemplo, que dão sentido para a vida.

Ana Laura aponta ainda que os coordenadores desses grupos também deveriam buscar ajuda profissional. "É uma pessoa que deve ter muitos problemas emocionais", avalia.



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