SOROCABA E REGIÃO

Mulher espera por aparelho para respirar após uma decisão judicial


Há quatro anos, depois de ter passado por muitos médicos, das mais variadas especialidades, seis deles neurologistas, Josefa Francisca dos Santos, 63 anos, foi diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa progressiva, que provoca a perda gradual das habilidades de locomoção, fala e deglutição. Agora ela inicia nova luta: conseguir um aparelho chamado bipap, que tem a função de um respirador mecânico. O custo aproximado é em torno de R$ 11 mil.

Vânia Golombieski, filha de Josefa, afirma que a família acionou o Estado e o município na Justiça, no final do ano passado, solicitando o aparelho. "A Prefeitura já foi notificada pela Justiça, mas não cumpre a decisão", reclama Vânia. Ainda de acordo com ela, um funcionário da Prefeitura teria comentado que o procedimento do órgão municipal era a preferência por pagar multa a comprar o aparelho.

Ouvida pela reportagem, a Prefeitura de Sorocaba informou que recebeu notificação da Justiça no dia 20 de dezembro de 2016 e que deu início ao processo para aquisição do equipamento. A compra se dará por meio de licitação e "não é possível prever um prazo exato para finalização", informou. Sobre o fato de preferir pagar a multa, destacou não ser essa postura da Prefeitura. "E não faz sentido pois o pagamento de multa não isentaria o cumprimento da ordem judicial."

O Estado também foi questionado e explicou que em municípios com mais de 150 mil habitantes, a competência para fornecimento de assistência nesse caso é das prefeituras. Segundo a assessoria da Secretaria de Estado da Saúde, em janeiro deste ano, Departamento Regional de Saúde (DRS) acionou a Prefeitura para que "agendasse uma avaliação da paciente para definição do modelo de aparelho a ser fornecido, porém, até o momento o DRS não recebeu qualquer retorno do município".

Vânia afirma que até então sua mãe tinha uma vida ativa. O tipo da esclerose de Josefa, diz Vânia, é o que afeta a região bulbar, considerado o pior. "A doença inicia pelos membros inferiores, a pessoa começa tropeçando e vai paralisando. Hoje minha mãe usa sonda no estômago. Ela não consegue se alimentar pela boca porque o músculo vai ficando fraco e a pessoa engasga. É uma doença ingrata."

Esse aparelho que Josefa precisa irá proporcionar a ela uma ventilação mecânica. "O pulmão de quem tem essa doença vai ficando fraco e o aparelho auxilia na respiração, caso contrário a pessoa pode morrer de insuficiência respiratória", disse ela.



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