CULTURA

Equipamento torna máquinas analógicas em digitais


A partir de agora você já pode resgatar da gaveta aquela velha máquina fotográfica tão querida, sua companheira de aventuras -- e digamos a verdade --, que também já te causou muitas surpresas, afinal nem sempre dava pra saber como a foto ficaria, né? Pois então, um sorocabano, radicado na Itália há quase 30 anos, criou um equipamento capaz de transformar as máquinas analógicas em digitais, e aí é que vem a vantagem pois agora dará pra ver como ficará sua foto. Também será possível descarregar em computadores e celulares. A intenção do inventor do aparelho, o diretor de arte e designer Samuel Mello Medeiros, é devolver esses objetos ao uso, o que tem despertado grande interesse pelos amantes da fotografia, em especial os que tinham estima pelas antigas máquinas.

Há quatro anos trabalhando nesse projeto, Samuel conta que inicialmente ninguém acreditava em sua ideia. "O problema é que ninguém acredita no que você faz, somente você mesmo. Muita gente começou um invento na garagem e depois que vira um computador, uma Apple, todo mundo se admira. A tristeza de quem cria algo é achar um público que apoie. Geralmente as pessoas riem da sua cara, falam que você está ficando louco e que não vai dar certo", desabafa.

Quando viu que seria possível de fato criar o equipamento, o primeiro passo de Samuel foi fazer uma pesquisa para saber se sua invenção teria um público. Isso o animou, o que o ajudou a prosseguir. Samuel então elaborou um projeto desse aparelho, que pode ser enviado por arquivo para os interessados, e estes devem levar a empresas que imprimem em 3D para terem de fato em mãos o equipamento.

O aparelho criado pelo sorocabano pode ser acoplado em máquinas fotográficas de várias marcas e modelos. Quem tem várias dessas na casa, pode adquirir apenas um equipamento e ir alternando o uso. No entanto, o objetivo de Samuel é já ter o aparelho pronto para entregar às pessoas. Para isso ele busca apoio financeiro e iniciou um crowdfunding (financiamento coletivo). O acesso pode ser feito pelo site dele -- www.imback.eu -- depois é só clicar no banner Kickstarter.

Transformar


Samuel Medeiros afirma que ficava se questionando sobre os milhões de câmeras analógicas por aí, sem uso. "Tem gente que guarda na gaveta e tem quem jogue no lixo, mas eu sou um cara que gosta de transformar."

O nome de seu projeto, afirma, é "I"m back". "A tradução pode ser eu voltei ou eu estou atrás", diz o inventor. Ele observa que nos últimos 10 ou 15 anos, as pessoas iniciaram uma correria em busca de pixels. "A tal ponto que foram esquecendo a composição fotográfica. Percebi uma decadência, a falta de buscar criatividade, e o que começou a estar em discussão é quantos mega pixels minha máquina tem mais que a sua."

Para o designer sorocabano, o que conta é a composição e o olhar do fotógrafo. "Já com as máquinas antigas, as pessoas caprichavam mais porque tinham poucas chances por causa do filme", analisa.

Samuel conta que no começo seu projeto encontrou certa resistência de fotógrafos que considera extremistas. "Não acredito no extremo, mas no meio. Mas tem gente que fala que só faz analógico ou só digital. Mas e a arte da fotografia? Meu projeto recupera máquinas que as pessoas não queriam jogar por diversos motivos, por lembranças pessoais, ou porque era do pai, então pensei em propor uma solução para elas retirarem novamente esses objetos da gaveta."

Samuel afirma que está em busca de patrocínio para seu projeto para produzir pelo menor custo possível. "Meu desejo é que custe 99 euros ou no máximo 149 euros, o preço de uma máquina digital básica."

O inventor sorocabano foi o mais jovem designer têxtil da Cianê, onde começou a trabalhar com apenas 15 anos de idade. Ele se recorda que sempre gostou de imagem, desde criança, e lembra que entre 6 e 7 anos, pegava uma caixa de sapato, uma lanterna e um papel de pão com desenhos que produzia, juntava tudo isso e criava o seu cineminha, que exibia para as crianças da rua onde morava. Samuel teve uma trajetória bem sucedida na sua área e mais tarde foi atuar na Itália, onde vive até hoje.


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