SOROCABA E REGIÃO

Com apenas 11 anos, Matheus tem muitas coisas para ensinar


Um professor com apenas 11 anos de idade. Não acha possível? Pois é isso o que faz o pequeno Matheus Barbosa, que dá aulas na área da informática para muitas crianças. Matheus viaja para muitos lugares para ensinar e adora fazer isso. Sabe o que ele ensina? A criar jogos no computador! Muito legal, né? E ele afirma que todos podem fazer isso.

Matheus aprendeu a ler com 6 anos de idade e apenas um ano após dominar a leitura, quando tinha ainda 7 anos, já estava estudando livros de informática para saber sobre programação e assim criar os próprios jogos. Um pouco antes de completar 8 anos, Matheus começou a dar aulas sobre o tema para outras crianças. Hoje com 11, ele é palestrante e vive sendo chamado para ir em eventos ensinar aquilo que sabe.

Matheus já deu palestra na Campus Party Brasil -- uma das principais feiras de tecnologia do País -- e na semana passada esteve em Sorocaba para dar uma oficina (pequeno curso) no Science Days, promovido pela Faculdade de Engenharia, a Facens.

O pequeno desenvolveu habilidades na área da informática por incentivo do seu pai, Michael, que é programador e queria que o filho aprendesse também, por considerar importante para o desenvolvimento do raciocínio lógico. "Quando meu pai falou comigo sobre isso, primeiro fiquei em dúvida, mas depois percebi que queria aprender e achei muito legal", conta.

Matheus lembra que aprendeu tudo sozinho, apenas lendo o material didático que tinha. "É divertido, gosto mais de criar os jogos do que de jogar", comenta. Ele disse que dos diversos jogos que criou, seus preferidos são um jogo de tiro, para matar monstros; um de exploração do mundo, que tem segredos a serem descobertos; e um de astronomia.

Em Sorocaba, ele ensinou crianças de escolas públicas e particulares a fazerem um jogo de naves e depois mostrou um projeto que simula o sistema solar. Matheus mostra que toda criança pode criar seus jogos, mesmo que nunca tenha tido contato com nada da área da informática. "No começo terá um pouco mais de dificuldade porque é algo novo, mas não é difícil", observa.

Apesar de seu conhecimento e de ir a diversos lugares ensinar as crianças, Matheus não pode fazer isso na própria escola onde estuda, lá em Mauá, porque não dão a ele essa oportunidade. "Eu poderia dar cursos nos finais de semana, mas não temos mais Escola da Família", lamenta.

Estudante da rede estadual, Matheus lembra que antes ia em outra escola, mas aquela não tinha computadores, então também não podia ensinar seus coleguinhas.

"É gostoso dar aula, me sinto feliz"

Matheus Barbosa é professor de programação em jogos na ONG Nova Era Novos Tempos, em Mauá. Lá, ele ensina crianças de 7 a 12 anos. É um trabalho voluntário, ou seja, ele não ganha nenhum dinheiro para fazer isso. Matheus usa o material didático do Code Club Brasil, que disponibiliza o conteúdo de graça para as pessoas. "É gostoso dar aula, me sinto feliz, é uma sensação diferente do que qualquer criança pode sentir, uma sensação única", diz.

Matheus afirma que gosta de brincar, mas também de estudar e já tem um sonho para o futuro. "Eu gosto de brincar, mas não tenho só vontade de brincar. Gosto de estudar, costumo estudar astronomia em casa porque eu quero ser astronauta e já estou me preparando porque é um emprego difícil."

A única parte que descontenta Matheus é que seus jogos são em 2D, por causa do sistema que usa para criar. "Faço porque gosto de testar meu conhecimento mesmo, me divirto com isso e tem vezes que faço pensando nas palestras", conta.

Para saber mais sobre Matheus e seu trabalho, veja o site www.cybereduca.com.br.


Inspiração para outras crianças 


Para as crianças que participaram da oficina de Matheus Barbosa, chamada Criando meu primeiro jogo, o que mais chamou a atenção foi a idade do palestrante. Eles não esperavam ter aula com alguém tão novo.

Para Miguel Henrique, 12 anos, estudante do Sesi Jardim Sandra, deu para aproveitar bastante a aula. "Pretendo usar esse conhecimento porque tenho vontade de fazer jogos também. Vou usar o que aprendi aqui para fazer um jogo de sucesso. Gostei bastante da palestra, só achei estranho que quem palestrou é mais novo do que eu, mas gostei bastante."

Também Arthur Matrimani, 10 anos, aluno do Anglo, afirma que achou muito legal. "Vou usar isso pra bastante coisa. Pretendo fazer um jogo de tiros quando eu crescer, é bem legal. Só fiquei assustado em ver um menino tão novo dando a palestra."

Ana Clara Martinez, 11 anos, estudante da Escola Estadual Arquiminio Marques da Silva, afirma que gostou bastante da palestra. "Vou fazer muitos jogos, quero fazer de comida", disse. Ela ainda comentou que achou um pouco difícil, mas mesmo assim iria tentar fazer. "Acho que eu posso ser que nem ele", disse, referindo-se ao fato de dar aulas mesmo sendo ainda criança.

Sobre o Science Days

O Science Days da Facens foi realizado nos últimos dias 13 e 14 de março, segunda e terça-feira, para aproximar estudantes de 10 a 18 anos das áreas da exatas, tecnologia e inovação, e inspirar novos cientistas e engenheiros. O evento foi realizado em parceria com a Brazil Florida Chamber of Commerce e colaboração da Agência Espacial Americana (Nasa). A programação incluiu atividades interativas, palestras e oficinas.


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