SOROCABA E REGIÃO

Após 8 horas de paralisação, ônibus retornam às ruas




Os ônibus começaram a sair das garagens por voltas das 11h em Sorocaba e região, após oito de horas de paralisação. A circulação das linhas deve ser normalizada até o início da tarde desta quarta-feira (15).A previsão inicial é que a greve durasse das 3h às 8h, mas os ônibus saíram das garagens apenas quando foram encerradas as assembleias nas principais empresas. Duarnte a paralisação, 30% da frota permaneceu em circulação em respeito à Lei de Greve.





A paralisação dos ônibus do transporte coletivo causou transtornos aos passageiros de Sorocaba e região desde a madrugada desta quarta-feira (15). Os terminais de ônibus amanheceram com movimentação tranquila. A suspensão parcial do serviço durante o horário de pico é parte do Dia Nacional de Paralisação contra a terceirização da atividade-fim e as reformas da Previdência e Trabalhista, informa o sindicato da categoria.

As entidades que convocaram o Dia de Paralisação protestam contra o que classificam de "disposição do atual governo federal e do Congresso Nacional de desmontar toda a estrutura de direitos sociais e trabalhistas já consolidados e que foram frutos de inúmeras lutas da classe trabalhadora ao longo de décadas". O ato foi convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), demais centrais e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Entre os dias 7 e 9 de março, os sindicatos filiados à CUT em Sorocaba coletaram 10.548 assinaturas contra a Reforma da Previdência. A subsede regional da CUT representa 22 sindicatos de diversas categorias profissionais. Esses sindicatos, por sua vez, representam juntos 130 mil trabalhadores.


Transtornos



Para quem depende do transporte para trabalhar, o dia foi de atrasos e incerteza sobre a disponibilidade das linhas. No Terminal Santo Antônio, por exemplo, a empregada doméstica Maria do Socorro reclamava da demora para a chegada um ônibus da linha Aparecidinha-Castelinho. "Eu saí bem antes de casa e só consegui chegar aqui às 6h10. Eu deveria ter entrado às 6h30 no trabalho, mas já estou meia hora atrasada e nem sinal do ônibus", contou. O mesmo disse o operador de máquina Luiz Carlos Inocência, que estava na fila há meia hora. "O ônibus que pego no Nova Esperança para vir ao terminal já atrasou meia hora e aqui chegam e saem várias linhas, menos a que vai para o meu trabalho", citou.


No terminal São Paulo, a auxiliar de limpeza Aline de Cássia relatou que saiu às 5h30 de casa, mas só conseguiu pegar ônibus às 6h para chegar ao local. "Já estou há 20 minutos esperando a linha do Éden e até agora nada. Já estou atrasada para o trabalho", pontuou. Já a diarista Noêmia Gomes preferiu utilizar um meio alternativo de transporte, após esperar por 15 minutos pelo ônibus que vai até o Éden. "Se eu não for trabalhar eu perco o dia, então preferi gastar um pouco chamando um carro da Uber", disse.


Muitos dos passageiros, inclusive, foram pegos de surpresa com a paralisação, embora o movimento tenha sido divulgado na última sexta-feira. A empregada doméstica Caroline Savallete só percebeu que a circulação dos ônibus estava reduzida quando chegou ao terminal. "Vou chegar pelo menos uma hora atrasada e com isso vou perder a aula do curso que faço à noite, pois vou ter pagar essa hora no trabalho", reclamou.


Nova paralisação


O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, Paulo João Estausia, ressaltou que a paralisação não estava relacionada com as reivindicações dos motoristas, mas sim de toda a classe trabalhadora. "Toda a população deveria ir às ruas para se mostrar contrária aos retrocessos que serão causados por essas mudanças e reformas", afirmou. Segundo ele, uma nova paralisação -- similar à de ontem -- está prevista para os dias 20 ou 21, quando deve ser votada no Congresso o projeto de lei da terceirização. "Se os parlamentares mudarem a agenda, nós alteramos a data, mas não vamos deixar de lutar para que essas reformas não avancem", finalizou.



Em nota da assessoria de imprensa, o sindicato afirmou que as assembleias nas garagens das empresas visou conscientizar os trabalhadores para a importância da luta contra o desmonte dos direitos trabalhistas e sociais. O vice-presidente do sindicato e vereador pelo PT, Francisco França, disse que a reforma da Previdência trará prejuízos irreversíveis. "A reforma da Previdência é o fim da aposentadoria no Brasil. Ao elevar a idade mínima para 65 anos, independente de ser homem ou mulher, e exigir 49 anos de contribuição para receber aposentadoria integral, a reforma fará com que ninguém mais se aposente. Quem consegue contribuir por 50 anos? Quem consegue passar a vida toda sem ficar um dia sequer desempregado?", questionou França.


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