CULTURA

Clipe de Paula Cavalciuk tem Sorocaba em destaque


Ruas centrais de Sorocaba, entre elas a Padre Luiz e a Cesário Mota, a praça Cel. Fernando Prestes, o clube Recreativo e a Catedral aparecem em meio a foliões que distribuem pela cidade o colorido e a alegria do Carnaval no clipe da música O poderoso café, que integra o álbum Morte & Vida, o primeiro da cantora Paula Cavalciuk. Natural de Tapiraí, Paula conta que se descobriu artista em Sorocaba e por isso quis fazer referência à cidade que a acolheu. O clipe já pode ser conferido no Youtube. O lançamento deste trabalho contou com apoio da Lei de Incentivo à Cultura (Linc) de 2016, no valor de R$ 35.748,00, verba que inclui ainda outro clipe, que deve ser divulgado no meio do ano, e duas oficinas, uma de coreografia, com Mimi Naoi, e outra de videoclipe, com Daniel Bruson, Vinícius e Felipe Botti Vidal, ambas sem data definida.

No ritmo do tango, as cenas do clipe de Paula mostram um chefe engravatado, daqueles que costumam correr contra o relógio, ganhando cores e adereços carnavalescos para quebrar a rotina mecânica de sua vida. Esse "poderoso chefão" (que na letra foi personificado na figura de Marlon Brando) toma as ruas de Sorocaba e acaba sendo acompanhado por populares, em cada ponto do trajeto. O objetivo é parar para tomar um café, mas todos acabam realizando na praça um baile de Carnaval. O final surpreende.




Concepção

Quem assina a direção do clipe O poderoso café é o artista gráfico Daniel Bruson, conhecido por seu trabalho como diretor de animação e vencedor no Anima Mundi 2016 com o curta Pete"s Story. Conforme ele, a ideia para o clipe de Paula foi pegar a letra da música e dar um sentido urbano para ela. "O personagem sai dos fundos de um baile de Carnaval, já pela manhã, e vai para o centro da cidade dançando, com o objetivo de tomar um café. E o número de dançarinos vai aumentando conforme passa por um ponto de ônibus, um restaurante. É uma tentativa de mudar a rotina das pessoas e fazer com que seja mais colorida naquele momento."

Essa ideia, de transformar a rotina, não ocorreu apenas na história do clipe, mas durante a filmagem, pois Daniel queria que fosse feita em lugares que não precisassem ser interditados, então a gravação ocorreu no meio das pessoas. "A gente queria que entrasse na rotina da cidade mesmo. Muita gente parou para ver, perguntou o que era, outros acabaram até mesmo aparecendo no clipe." Sobre o final, Daniel comenta que o objetivo foi propor um novo jeito de olhar para a cidade.

Coreografado por Mimi Naoi a partir dos trejeitos de Paula Cavalciuk nas apresentações ao vivo, o vídeo conta com participação de 31 pessoas, entre compositores, instrumentistas, produtores e ativistas de movimentos sociais da cidade. Todos aparecem dançando.

Arte

Paula Cavalciuk, 31 anos, está fora de Sorocaba desde janeiro, quando iniciou a turnê do álbum Morte & Vida pelo Nordeste. Ela conversou com a reportagem na quarta-feira, por telefone. "Estou em Natal, mas com muita saudade de Sorocaba", disse Paula, que voltará em março. Conforme a cantora, a ideia do clipe foi ocupar a cidade com música e dança, para transmitir a liberdade e a força da classe artística local. "Por isso quis envolver as pessoas da cena cultural, que estão fazendo coisas tanto na produção quanto na dança."

Paula afirma que a música O poderoso café é um trocadilho com O poderoso chefão, por ser inspirada no filme, com atuação de Marlon Brando. "Gosto muito de sentar junto com as pessoas à mesa, conversar e tal. Quando me deparei vivendo sem meus pais, sem poder tomar café nem com minha irmã, vi como nossa rotina suga a gente, que vivemos correndo e muitas vezes nem sabemos pra onde estamos indo, então pensei que o Marlon Brando também deveria ser a pessoa mais ausente do mundo durante as filmagens, e aí surgiu a música". No clipe estão referências do filme. "E claro, a minha gangue, a minha máfia", acrescenta Paula.

A cantora lembra que seu reconhecimento como artista se deu em Sorocaba e deve muito a pessoas daqui, por isso escolheu algumas delas para fazer parte do clipe. "Tem muita gente na cidade responsável pela minha evolução e por ter seguido esse caminho", diz.

Ela afirma que os coletivos, entre eles o Rasgada, a fizeram pensar como poderia apresentar um trabalho autoral e ter público para isso. "A Flavia Biggs mesmo, por essa questão do empoderamento, me ajudou a me entender como mulher, como artista e compositora. São pessoas que fazem arte e vivem da cultura em Sorocaba e me fazem estar onde estou. Então, resumindo, o que eu quis dizer com o clipe é que a cidade é nossa sim, vamos tomá-la pra gente, fazer coisas por ela e mostrar que a gente tem valor também."


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