BRASIL

'Sinto falta até hoje', diz pai de vítima de acidente no metrô

Era uma sexta-feira à tarde, 12 de janeiro de 2007. O funcionário público Márcio Alambert, 31 anos, tinha ido à Subprefeitura Pinheiros, na Marginal Pinheiros, na capital paulista, para resolver um problema. Quando saiu da Subprefeitura, decidiu pegar uma lotação, na Rua Capri, ao lado das obras de construção da atual Estação Pinheiros de Metrô, para ir embora para casa. Logo após ter entrado na lotação, uma cratera de cerca de 80 metros de diâmetro abriu-se sobre a rua e o micro-ônibus onde ele estava acabou sendo soterrado. O corpo de Márcio foi encontrado apenas uma semana depois do acidente.

"Ele tinha ido resolver um assunto na Subprefeitura de Pinheiros e passou por ali para pegar uma lotação. Segundo informações, ele perguntou se ia demorar para passar a lotação e aí falaram que não, então [esperou e] pegou a lotação", contou o pai de Márcio, Celso Alambert, 77 anos.

Além de Márcio, outras seis pessoas morreram no acidente: o cobrador Wescley Adriano da Silva, o motorista da van Reinaldo Aparecido Leite, a passageira Valéria Alves Marmit, o motorista Francisco Sabino Torre, de um caminhão que trabalhava na obra, a aposentada Abigail de Azevedo e o office boy Cícero Augustino da Silva, que chegavam ao ponto de ônibus no momento do acidente. Além das vítimas, o acidente também provocou rachaduras e destruição de alguns imóveis na região e acabaram sendo condenados pela Defesa Civil à época.

Nesta quinta-feira (12), o acidente completa 10 anos sem que ninguém tenha sido condenado ou responsabilizado. "Isso gera revolta. Como é que vão fazer uma obra desse porte sem responsável? Nesse caso tinha que ter um engenheiro responsável, um geólogo, uma fiscalização sobre as obras. Mas sabe como é que é, né? Se fossem cidadãos comuns já teriam sido punidos. Mas envolve muita gente graúda, então acaba tudo em pizza", reclamou Alambert.

Para ele, o acidente foi previsível e poderia ter sido evitado. "Como é que pode uma obra desse porte não ter uma fiscalização? Outra coisa: eles fizeram vista grossa às reclamações [anteriores] dos moradores, que alertaram que as casas estavam apresentando rachaduras", contou ele.

Ausência

"A gente sente falta até hoje, mas não tem outra alternativa. Ainda bem que ele deixou uma semente que é a filha dele [Beatriz], que não tinha três anos de idade na ocasião", contou o pai de Márcio. "Ele era uma pessoa muito meiga, amável, não tenho o que me queixar dele. Um bom filho, um bom marido e um bom pai", ressaltou. (Agência Brasil)


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