_ Personagem criado por sorocabana vira filme - 25/12/16 - CULTURA - Jornal Cruzeiro do Sul
CULTURA

Personagem criado por sorocabana vira filme


 
Depois de servir de inspiração para uma peça de teatro, o personagem "menino que não sabia chorar", da ilustradora sorocabana Luiza Pannunzio, vai virar também um longa-metragem de animação. A produtora de audiovisual Padeia Filmes, de São Paulo, foi contemplada em edital com recursos para desenvolver o projeto. O filme será uma adaptação da peça de Paula Autran, que é baseada nas ilustrações e textos de Luiza. O personagem é inspirado em seu filho, Bento, que nasceu com fissura labial e palativa e devido a isso não desenvolveu o canal lacrimal -- daí o menino "que não sabia chorar".
 
O produtor executivo da Padeia Filmes, Heverton Lima, conta que se encantou pela história após assistir a peça em São Paulo. O espetáculo O menino que não sabia chorar conta de forma poética e musical a jornada de Bento, que Luiza relatou inicialmente por meio de textos e ilustrações publicadas na internet. "Fiquei apaixonado pelo trabalho", recorda. Ele relata que a opção pela animação -- a primeira desenvolvida pela produtora -- surgiu ao observar elementos fantasiosos da peça, que seriam melhor traduzidos desta forma. "Com a animação fica muito mais fantástico", disse.
 
Os recursos de R$ 100 mil, de edital do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro (Prodav), serão utilizados para o desenvolvimento do projeto. Verbas para a produção do filme ainda serão captadas, provavelmente, em 2018. O produtor já adianta, porém, que o roteiro e argumento ficarão por conta de Paula Autran, com co-roteiro de Paula Szutan.
 
 
História real
 
 
Os desdobramentos da jornada de Bento, de 4 anos, continuam a surpreender Luiza. Para ela, a história é tão envolvente por ser verdadeira. "Vivemos um momento em que a verdade está quase fora de moda", opina. Ao escancarar os momentos difíceis que passou desde o nascimento do filho e os muitos desafios enfrentados, busca, contudo, expor a realidade com otimismo, demonstrando o crescimento conquistado. "Quando o Bento nasceu com problema de anomalia craniofacioal -- e ele não tinha o canal lacrimal -- eu disse que ele era um menino que não sabia chorar, e que por isso ele estava fadado à felicidade. Isso é de um otimismo muito grande. Além de verdadeiro, as pessoas precisam desse otimismo", disse.
 
"Acho que a gente tem uma ótima história para contar. E é uma história que eu tenho trabalhado para não morrer em mim", afirma. Para Luiza, a notícia do filme vem como fechamento de um ano repleto de luta. Além de lidar de forma poética com a fissura labial de Bento, também se jogou de cabeça no engajamento social em prol de outras crianças fissuradas e suas famílias.
 
A estilista e ilustradora criou a página do Facebook As fissuradas, que é uma rede de apoio para as mães com filhos que nasceram com fissuras e outras imperfeições da face. Uma das campanhas desenvolvidas foi a de arrecadação de máquinas de tirar leite materno, que foram doadas ao banco de leite humano do Hospital das Clínicas, em São Paulo. A atitude é inspirada pela dificuldade, ou impossibilidade, que alguns bebês fissurados enfrentam para mamar no peito.
 
As histórias de Bento, e também de sua irmã Clarice, podem ser acompanhadas por meio da página http://parabento. tumblr.com e http:// paraclarice.tumblr.com. A página das Fissuradas é www. facebook.com/asfissuradas.
 


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