_ Transferência para a Santa Casa tem fila de espera de cerca de 100 pacientes, dizem funcionários - 21/10/16 - SOROCABA E REGIÃO - Jornal Cruzeiro do Sul
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Transferência para a Santa Casa tem fila de espera de cerca de 100 pacientes, dizem funcionários


Quase 100 pacientes, muitos deles em estado grave, aguardam para serem transferidos a hospitais da rede conveniada em Sorocaba para receberem tratamento adequado, informaram funcionários da Unidade de Pronto-Atendimento do Éden (UPA) que pedem para não ter os nome revelados. Os doentes são mantidos lá e nas duas UPHs (das zonas norte e leste).

Os três equipamentos não têm estrutura para atender casos de alta complexidade que demandam assistência especializada. Em maio deste ano, o então secretário de Governo e candidato derrotado nas eleições para prefeito, João Leandro da Costa Filho, disse ao Cruzeiro do Sul que, naquela ocasião, perto de 70 pessoas aguardavam por internação na cidade. Somente na UPH Zona Leste, segundo divulgado esta semana, 42 pessoas são atendidas e esperam para ser encaminhadas a hospitais. Desse total, 30 têm quadro considerado crítico.

Na semana passada, foi noticiado o drama do pintor Paulo Henrique da Silva Overa, que deu entrada na UPH Zona Leste e precisava ser transferido. O paciente morreu sem conseguir receber o atendimento mais especializado. Ontem, duas outras ocorrências foram denunciadas à reportagem. A primeira delas envolve o aposentado Carlos Roberto de Oliveira, de 67 anos, que tem câncer.

Familiares disseram que ele deu entrada também na UPH Zona Leste na segunda-feira depois de ter passado mal. Médicos que o examinaram informaram da necessidade de transferência imediata à unidade melhor aparelhada e alertaram que um eventual retorno para casa poderia agravar ainda mais seu quadro, com risco de óbito.

Oliveira, de acordo com sua nora, Viviane, ainda precisa de transfusão de sangue, procedimento que só pode ser realizado em hospital, já que a UPH não tem condições de executá-lo. O segundo registro foi denunciado por parentes de Ilso Bonjardim, acolhido na UPA do Éden. O paciente é acometido por hepatite e também está exposto a perigo se não der continuidade ao tratamento de que necessita. A filha de Ilso, Adriana, disse que não sabe mais a quem recorrer. Desesperada, busca respostas, mas conta que ninguém passa a mais básica das informações. "Tratam a gente com descaso. Meu pai precisa de socorro e não fazem nada. E ainda tem quem diz que a saúde vai bem no município".

Em contato com a reportagem, o secretário da Saúde da Prefeitura, Aílton Ribeiro, disse que o total de pessoas que estão na fila de espera por vagas em hospitais na cidade, não seria aquele estimado por servidores da UPA, mas que não sabe o número exato, já que precisaria consultar a Central de Regulação de Vagas. Ele também afirmou que os leitos da Santa Casa estão todos ocupados e que os doentes lá internados recebem alta diariamente, quando têm sua melhora constatada. Segundo o secretário, o custo de cada paciente para a Prefeitura é de R$ 1 mil por dia e que a abertura de novos leitos no hospital administrado pelo governo municipal implicaria gastos da ordem de R$ 1 milhão. "Não temos esse dinheiro", destacou.

Também consultada, a Secretaria de Estado da Saúde informou que a referência para atendimento dos casos de alta complexidade é a Santa Casa de Sorocaba. Conforme a Pasta, a Prefeitura, que é de grande porte, tem estrutura suficiente para dar conta da própria demanda. Caso precise, deve procurar o governo do Estado e, aí sim, obter ajuda para atender os pacientes. Ainda de acordo com a Secretaria, o diálogo com esse objetivo não é mantido, já que a Prefeitura adota a prática de transferir a responsabilidade a outra esfera governamental.

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