SOROCABA E REGIÃO

Saúde terá escassez de recursos em 2017


O secretário da Saúde do município, Aílton Ribeiro, disse ontem que os efeitos da crise econômica que determinaram cortes e suspensão de projetos dentro do atual governo, deverão se prolongar por pelo menos mais um ano. "Enfrentamos uma crise sem precedentes e acreditamos que isso vá continuar a partir de 1º de janeiro. Temos que 2017 será tão ou mais difícil do que 2016 (para a saúde pública)", afirmou durante a apresentação da agenda para o ano que vem de atividades voltadas ao enfrentamento das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti: dengue, chikungunya e zika.

Pela manhã, durante entrevista à Cruzeiro FM 92,3, o prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) também falou da realidade orçamentária do município e deu a entender que não acredita no cumprimento das promessas feitas neste segundo turno da campanha pelos dois candidatos que buscam sucedê-lo.

À tarde, o secretário falou que o cenário aponta para uma "frustração de receita", isto é, não serão repassados recursos de outras esferas governamentais, além do que já foi estimado. Por sua vez, Pannunzio lembrou que o orçamento para o próximo exercício sofrerá redução da ordem de 4% a 5% comparativamente à proposta em vigor.

Aílton Ribeiro também afirmou que a destinação de receitas adicionais para o atendimento de outras demandas pode resultar na descontinuidade daquilo que já e que precisa ser feito. As ações de combate à dengue têm dotação assegurada. O planejamento apresentado pelo diretor da Área de Vigilância em Saúde, Rafael Reinoso, toma por base a participação de todas as secretarias.
Sorocaba contabilizou, de acordo com o segundo Boletim Epidemiológico do ano dengue 2016-2017, divulgado também ontem, 520 casos notificados da doença com a confirmação de 12, três deles importados. Os números ainda apontam que para chikungunya as notificações ficaram em quatro casos, com a confirmação de um importado. O outro ainda está sob investigação e dois foram descartados.
O maior registro ficou com os casos de zika. Foram feitas 24 notificações com o descarte de um caso, enquanto que os demais 23 estão sob investigação. Segundo o diretor de área de Vigilância em Saúde, Rafael Reinoso, esta é uma situação que está sendo acompanhada de perto pela SES, pois no último boletim emitido, as notificações eram 13, com o mesmo número de investigação para confirmação da doença.

Ele reiterou a importância da manutenção das ações de atenção à população, prevenindo e coibindo a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Como em outras oportunidades, disse que este é um trabalho conjunto e os resultados positivos aparecerão com a efetividade da união entre o Poder Público e a comunidade.

Os números são bem menores do aqueles observados em 2014, quando a cidade contabilizou quase 60 mil ocorrências e 40 mortes provocadas pela doença. Para o enfrentamento dessa demanda especificamente, o governo municipal já dispõe de dados fornecidos pela Defesa Civil do Estado com a expectativa de chuva para os meses de novembro e de dezembro. No primeiro, estima-se que o volume de chuva deva ser de 160 milímetros; já no segundo, 207 milímetros.

Como o mosquito transmissor das doenças se adapta a ambientes quentes e úmidos, os cuidados terão de ser redobrados, afirmou Reinoso. Ele também apresentou o mapeamento de densidade larvária do município, segundo o qual todas as regiões da cidade, indistintamente, têm focos do inseto. A região de maior concentração da presença do Aedes continua sendo a de Lopes de Oliveira.


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