ARTIGOS

Biomateriais: alternativa de tratamento do câncer de pele


Anna Maria G. M. Barros


Vagner Roberto Botaro
 
Há três anos, o Grupo de Pesquisa em Materiais Lignocelulósicos da UFSCar Sorocaba, em parceria com o Laboratório de Biomateriais da PUC Sorocaba, Redemat Rede Temática de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de Ouro Preto e Laboratório Imunocel da Fatec Sorocaba, estão desenvolvendo pesquisas relacionadas a tratamentos cutâneos e regeneração tecidual, utilizando polímeros derivados de materiais naturais como o amido, a celulose e seus derivados.
 
Atualmente, podem ser encontradas muitas pesquisas testando novos materiais e novas tecnologias que possam ser utilizados como dispositivos médicos, sejam para aplicação interna ou externa ao corpo humano. No entanto, também existe a preocupação de desenvolver materiais que não sejam tóxicos e muito menos poluentes, já que se faz necessário associar o desenvolvimento de novos materiais à preservação do meio ambiente. Com esse intuito, o projeto de doutorado descrito nesse texto, com orientação do professor dr. Vagner Roberto Botaro da UFSCar Sorocaba e coorientação da professora dra. Elaine C. Oliveira da Fatec Sorocaba, utiliza um hidrogel de acetato de celulose, que possui a característica de armazenar grande quantidade de líquidos e ainda a possibilidade de fazer ligações químicas com determinados fármacos, o que torna esse material muito interessante para o desenvolvimento de um curativo cutâneo capaz de levar medicamento para lesões de pele, seja uma úlcera, um ferimento proveniente de doenças tropicais ou até mesmo de melanoma, mais conhecido como câncer de pele.
 
Durante três anos, nosso grupo de pesquisa avaliou a biocompatibilidade e citotoxicidade desse novo material desenvolvido pelo professor dr. André Martins Senna na UFSCar e fez alguns experimentos, com resultados interessantes e bem promissores na liberação controlada de antibióticos. Agora, nosso principal objetivo é utilizar o hidrogel para o tratamento de melanoma, impregnando o material com quimioterápicos e fitoterápicos. Já existem materiais capazes de realizar tratamentos semelhantes em pele, porém o custo é inacessível à população; no entanto, como o hidrogel possui baixo custo de produção, poderia ser uma alternativa mais barata e eficaz de tratamento de câncer de pele. Outro material testado e desenvolvido pelo grupo de pesquisa consiste em uma pele artificial vascularizada de amido com nanofibras de celulose. Esse material contém células-tronco derivadas de gordura corporal, capaz de promover formação de vasos sanguíneos in vitro, evitando a perda da pele artificial por necrose e facilitando o tratamento, já que a falta de vascularização pode prejudicar a regeneração da pele. Este é um grande desafio para os materiais estudados recentemente, pois durante o tratamento, podem ser observados resultados ineficientes por não haver uma forma de oxigenação e distribuição de nutrientes no material utilizado.
 
O uso desse filme de amido e nanofibras de celulose também seria uma forma mais barata e eficaz de produzir uma pele artificial, capaz de auxiliar o tratamento de pessoas que sofreram queimaduras profundas, evitando que a pele de outras regiões do corpo do mesmo paciente sejam retiradas para proceder ao tratamento do local lesionado, como é feito atualmente. Desta forma poderia haver inclusive a diminuição de reincidência do paciente no hospital, pois algumas vezes é necessário repetir o procedimento de enxerto de pele por falta de vascularização, aumentando custo e sofrimento para o paciente, que poderia ser evitado usando uma pele artificial já vascularizada.
 
Anna Maria G. M. Barros e Vagner Roberto Botaro integram o Grupo de Pesquisa em Materiais Lignocelulósicos da UFSCar-Sorocaba
 

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