ECONOMIA

Teste com automóvel JAC J3 com 112 mil km rodados surpreende

Normalmente, os veículos cedidos à imprensa pelas montadoras para avaliação não têm mais que 5 mil quilômetros rodados. Raramente emprestam veículos com 8 ou 10 mil km rodados, pois a frota para esse fim específico é constantemente trocada. Dessa maneira, é no mínimo curioso a proposta da assessoria de imprensa da JAC Motors de ceder um carro para testes com mais de 100 mil km rodados e mais de três anos de fabricação. Mas a ideia é essa: mostrar como anda um carro compacto chinês com alta quilometragem e vários anos de uso.

O caderno Motor aceitou o desafio e avaliou um JAC J3 branco, com placa de Fortaleza, fabricado em 2013, dois anos depois que os modelos chineses dessa marca começaram a ser vendidos no Brasil. O brasileiro anda em média 15 mil quilômetros por ano e um carro importado em 2013, se tivesse dentro desse padrão, estaria com aproximadamente 50 mil km. O J3 avaliado, com 112 mil km, rodou portanto, muito mais que a média nacional e segundo assegura a JAC, estava praticamente original, ou seja, motor, câmbio, suspensão e outras peças vitais são originais

Segundo informações da JAC, apenas o carter havia sido trocado tempos atrás por ter apresentado um vazamento. Os pneus também foram trocados, mas o resto demonstrava ser um carro bastante rodado mas bem conservado. Havia até uma trinca na base do para-brisa (quase imperceptível, sob a lâmina do limpador). O resto demonstrava que apesar de ter percorrido muita estrada, o carro foi bem cuidado antes de ser readquirido por uma das concessionárias da marca, possivelmente para troca por outro modelo mais novo.

Pois bem, rodamos em uma semana com o carrinho - cerca de 500 quilômetros - e o resultado foi bastante positivo. O uso diário do J3 mostrou que o carro está em plena forma e tem condições de rodar muitos quilômetros mais. Claro que um carro com mais de 100 mil km sempre tem algum barulhinho, como um ranger de mola ao passar em lombada, mas o J3 estava andando muito bem. O carro estava alinhado, sem folgas no volante ou coisas que denunciassem uso excessivo. Até os engates do câmbio, um ponto positivo dos modelos da JAC Motors, estavam muito parecidos com os de um carro novo.

O J3 tem um motor muito interessante. O modelo avaliado, fabricado em 2013, não é flex, somente numa segunda fase a marca chinesa passou a oferecer modelos flex no Brasil. O motor 1.4 (na verdade, 1.332 cm3) com comando variável de válvulas, que entrega 108 cv de potência a 6 mil rpm movido somente a gasolina está com seu funcionamento perfeito. O torque do carro é de 14,1 kgfm a 4.500 giros. O motor gira redondinho, como se diz, nada de ruídos estranhos, perda de potência ou vazamentos. Surpreendeu também a economia de combustível. O J3 fez uma média de 13 km/litro no uso combinado de cidade/estrada. Até a lataria está bem conservada, sem sinais de ferrugem ou outros danos provocados pelo uso.

Ao desembarcar no Brasil em 2011, o J3 e o J3 Turim, os primeiros modelos da JAC no Brasil, causaram certo furor. A marca abriu dezenas de concessionárias em um único dia e teve toda sua campanha publicitária ancorada por Fausto Silva, o Faustão, que se tornou, por um bom tempo, garoto propaganda da marca. O preço competitivo dos modelos e seu bom pacote de equipamentos de série fizeram as vendas deslancharem. Esse bom começo comercial da marca só foi abalado algum tempo depois com o advento do Inovar-Auto e do super-IPI de 30% para automóveis importados, que afetou profundamente a marca. A JAC engavetou seus planos de produzir o J3 na Bahia e trabalha com a possibilidade de montar o JAC T5, um SUV compacto que está tendo boa aceitação no mercado.

O J3 usado mostra que além de bem equipado, o carro é bastante resistente, comeu muito asfalto brasileiro durante três anos e tem condições de rodar ainda por muito tempo.


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