ESPORTES

Justiça desportiva julga injúria



Mal que assola todas as esferas da sociedade, o racismo infelizmente está presente também no esporte -- e muito mais perto do que se imagina. Nesta quarta-feira (22), o Tribunal de Justiça Desportiva de Sorocaba deu início ao primeiro julgamento de sua história de um ato de injúria racial que teria sido praticado por um atleta do clube de futebol varzeano Associação Sport Sorocaba. Após a marcação de uma infração, tanto o árbitro da partida, Evanildo Natalino André, quanto seus auxiliares teriam sido ofendidos pelo jogador com os xingamentos de "bando de preto safado", "macacos" e "vagabundos". O atleta foi expulso na ocasião e insistiu com as ofensas, que foram relatadas na súmula e serão alvo de uma decisão do tribunal que será anunciada até a próxima segunda-feira (27).

O caso aconteceu na partida entre o Sport Sorocaba e o Vila Carvalho, no último dia 5 de junho, válida pela Taça Baltazar Fernandes, a terceira divisão do futebol varzeano local. O jogo terminou com a vitória do Sport, que segue vivo na competição. O atleta em questão estava no banco de reservas quando proferiu os xingamentos. As palavras chegaram até o auxiliar Luciano Bernardes, que imediatamente acionou o árbitro, levando à expulsão do jogador. Uma vez denunciado, se condenado ele pode pegar suspensão de até cinco anos das competições oficiais realizadas na cidade. O clube, por sua vez, não é punido nesta situação.

No julgamento, Evanildo e Luciano foram ouvidos pelo tribunal. Eles tiveram a oportunidade de apresentar suas versões do episódio ao presidente do órgão, Márcio Leme que, juntamente com outras duas relatoras, deverá anunciar uma decisão acerca da denúncia nos próximos dias. Nenhuma testemunha de defesa compareceu ao julgamento, o que deverá agravar ainda mais a situação do réu. Segundo o secretário executivo do tribunal, Luiz Carlos da Silva, que ocupa a função há 11 anos, esta é a primeira vez que um caso desta natureza chega à justiça desportiva para julgamento.

Apesar de denunciarem um crime à justiça desportiva, as vítimas optaram por não registrar boletim de ocorrência sobre o caso. De acordo com os integrantes da equipe de arbitragem, o atleta pivô da confusão teria se dirigido a eles para pedir desculpas após a partida. Em depoimento ao tribunal, Evanildo lamentou o episódio e lembrou que trata-se de uma situação que ocorre com frequência. "Ouvimos esse tipo de coisa todo sábado e domingo vindo das arquibancadas, mas nunca conseguimos saber quem são", relatou.


Agressão


Outro caso julgado na noite de ontem envolve um atleta do Esporte Clube São Cristóvão, que teria agredido o árbitro Everton Araújo, o Gavião, na partida contra o América, pelo Campeonato Municipal de Futebol Veterano da 1ª Divisão, no último dia 11 de junho. Ouvidos, acusação e defesa (que negou os fatos denunciados) relataram suas versões do caso e o episódio também será alvo de uma decisão a ser proferida pelo tribunal até a próxima segunda-feira.

A partida foi encerrada pelo árbitro por falta de segurança quando o placar apontava 1 a 1. Como ambas as equipes têm chances de classificação no Grupo A da competição, o resultado do julgamento deverá definir quem avança às quartas de final do torneio.


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