ARTIGOS

Enfim... é Natal!


... e o bom velhinho roubou o helicóptero!
 
(E eu sei quem é o tal "Papai Noel" voador!)
 
Bem ruinzinho esse tal de 2015, né não? E terminar o ano assim com um "Papai Noel" gatuno. Parece o fim da picada.
 
Alto lá! Antes que você já pule pra próxima matéria, pois tá um porre só notícia ruim, siga-me nesta, peço-lhe, pois haverá de produzir algo.
 
Dias destes o amiguinho aí da coluna de cima, um dos meus escritores preferidos - o Veríssimo escreveu que Darwin fora desmentido, pois a realidade política brasileira insiste em desmenti-lo. Caro: discordo (se bem que Veríssimo continuará sendo Veríssimo com ou sem minhas discordâncias). Ainda assim, vejamos.
 
Darwin disse que na luta universal pela sobrevivência, "persevera o mais capaz", e para nosso desespero contemporâneo, o mais capaz é aquele que detém poder e dinheiro. Poder os políticos sempre detiveram; dinheiro talvez "como nunca, e jamais visto neste País". Pronto. Darwin continua certo! O que está errado é o conceito tão moderninho de afortunado: "poder e dinheiro".
 
Como os atuais, nefastos e desgraçosos horrores mundanos continuam pipocando em todas as páginas, já estou puxando o tema pra outra banda - foi o que prometi:
 
-- Ora - pergunto: Onde haveremos de ancorar nossas esperanças? Ou não lhe parece que estamos todos atordoados? Perdidos mesmos.
 
Época de Natal já foi época de esperanças. Não mais! Pode soar duro, mas, não mais! Caiu na mesmice de um "Feliz Natal" sem sentido. Até o "Papai Noel" se mandou e de helicóptero!
 
-- Então em quem ou o quê esperançar?
 
Na polícia, no magistério, nos magistrados, na ONU, na COP 21, na igreja, nas ONGs...?
 
Nas frugais (só para não dizer fúteis) e mal acabadas frases do Facebook?
 
No (a) Black Friday? No cartão de crédito? Empréstimo consignado? No banco? No carro novo? Birita?
 
Ciência? Nos médicos? Nos psicoterapeutas? Nos livros de autoajuda? Em algum amalucado cheio de marra?
 
Sei que de certa forma muitos, entre eu, acreditamos em uma ou outra destas entidades, e hoje particularmente o Poder Judiciário tupiniquim parece, enfim, ocupar-se ciosamente (boa-esperança), mas antes destas, e por milênios acreditávamos em algo bem mais simples:
 
Na antiga Babilônia nas festas de Ano Novo, numa cerimônia religiosa, festiva e mágica reuniam-se os homens em torno do poeta. Não existia a escrita, papel e tinta, que ainda não haviam aprisionado as palavras ditas e, portanto estas vagavam pelo espaço; e o que dizia o poeta tinha poder de tornar vivos os fatos passados e dar imaginação aos fatos futuros.
 
Falava o poeta sobre passados e futuros cheios de glória:
 
"Assim me falaram as virgens do grande Zeus, por cetro deram-me um ramo, um loureiro viçoso e inspiraram-me um canto divino para que eu glorie o futuro e o passado".
 
E o poeta com sua arte restaurava e renovava a vida:
 
"Se com angústia no ânimo recém-ferido alguém aflito mirra o coração, e se o cantor servo das musas hineia a glória dos antigos e os venturosos deuses que têm o Olimpo, logo esquece os pesares e de nenhuma aflição se lembra".
 
Que lindo! A boa palavra!
 
E mais: a recitação destes cânticos tinha o poder de colocar os doentes que os ouvissem, em contato com as fontes originárias da vida, e assim restabeleciam-lhes a saúde.
 
É isso! As fontes originárias da vida. Muito simples. A esperança das palavras oníricas dos poetas, sem outra intenção que não seja ecoar... ecoar... e produzir efeito transformador.
 
Que ecoem em seu coração e dos seus, as mais lindas cantigas de boa aventurança e de uma vida feliz em 2016!
 
E a transformação não é em Brasília, daquele vizinho, do filho ou no cônjuge. A única transformação possível é a que está ao alcance da própria consciência.
 
Carinhosamente.
 
Ah...! Quem é o Papai Noel que roubou o helicóptero? Conto na próxima, e os porquês.
 
(Versos do livro Teogonia - A Origem dos Deuses, de Hesíodo - que junto a Homero é o mais antigo poeta grego)
 
 
José Milton Castan Jr. é psicanalista e escritor - www.psicastan.com.br
 



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