SOROCABA E REGIÃO

Mulheres protestam contra declarações de Marum


Ao som de "Pagu", tema de Rita Lee e Zelia Duncan, organizações, coletivos e setoriais de mulheres protestaram na tarde desta terça-feira contra as declarações postadas pelo promotor de Justiça Jorge Alberto de Oliveira Marum em sua página no Facebook. Os comentários no Facebook abordavam questão da prova aplicada no último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e foram considerados ofensivos. Marum disse que "mulher nasce uma baranga francesa que não toma banho, não usa sutiã e não se depila" e que "só depois é pervertida pelo capitalismo opressor e se torna mulher".

Durante o ato realizado em frente ao prédio onde atualmente ficam alguns dos departamentos do Ministério Público, na avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes, os manifestantes acusaram o promotor de "machista" e "preconceituoso". Eles também protocolaram uma moção de repúdio às intervenções de Jorge Marum. O presidente da subsede Sorocaba da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Alex Fogaça de Camargo, lamentou que alguém que ocupe a posição que Marum ocupa tenha se orientado, conforme avalia, por uma visão tão limitada sobre a questão de gênero.

Fogaça lembrou que as redes sociais têm servido ultimamente de fórum para a prática da intolerância e do preconceito. "Temos lido sobre casos de famosos que foram ofendidos por questão racial e, aqui, vivemos situação parecida que fere a honra e integridade das mulheres. A sociedade não pode se calar diante disso".
 
Marum divulga nota
 
À noite, o promotor Jorge Marum divulgou nota na qual se posicionou sobre a manifestação. No texto, afirmou que soube do protesto, mas não acompanhou porque trabalhava no momento. "Não concordo com o que (os manifestantes) disseram, porque é uma acusação falsa e injusta, que distorce o que escrevi, mas defendo a liberdade de expressão e manifestação, direitos esses que essas pessoas não reconhecem a quem pensa de modo diferente delas".
"Sou de um tempo em que aqueles que pensavam de modo diferente do governo eram presos e torturados. Isso ainda acontece na Venezuela e em Cuba, por exemplo. Não quero isso para o Brasil, por isso continuarei a expressar minhas ideias e defender a liberdade. Tenho recebido centenas de manifestações de apoio do Brasil inteiro, porque a grande maioria do povo brasileiro está preocupada com coisas mais importantes e graves do que uma simples frase irônica. O que aflige o povo é o desemprego, a inflação, o desvio de dinheiro público etc. Estou ao lado dessa maioria", concluiu o comunicado.


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