SOROCABA E REGIÃO

MP afirma que declarações de promotor não representam órgão


 
 

Uma declaração feita nas redes sociais pelo promotor de Justiça de Sorocaba, Jorge Alberto de Oliveira Marum, sobre uma das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), relacionada a uma frase de Simone de Beauvoir, provocou reprovação do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP/SP). No dia 25 de outubro, em seu perfil do Facebook, o promotor afirmou que o "Exame Nacional-Socialista da Doutrinação Sub-Marxista. Aprendam jovens: mulher não nasce mulher, nasce uma baranga francesa que não toma banho, não usa sutiã e não se depila. Só depois é pervertida pelo capitalismo opressor e se torna mulher que toma banho, usa sutiã e se depila". O MP/SP, por meio de nota, disse que as declarações do promotor não correspondem ao posicionamento e ideais da instituição. Ouvido pela reportagem, o promotor Jorge Marum achou a nota do MP correta e necessária, já que se manifestou como cidadão e pai e não como promotor. Ele indicou que sua filha de 16 anos prestou o Enem e foi submetido, do que considerou, "à doutrinação ideológica do governo federal."
 
A nota do MP, que foi assinada pela Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), pelo Núcleo de Gênero e pelo Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (GEVID) citou que a declaração, de conteúdo irônico, não condiz com os ideais do MP. "Ao contrário, o Ministério Público do Estado de São Paulo tem desenvolvido, por atuação de seus órgãos de execução, indispensáveis trabalhos relacionados à temática de gênero, além da orientação de vítimas e dos autores de violência, destacando campanhas de conscientização, seminários, cooperação com órgãos dos poderes públicos, iniciativas legislativas e até a recente criação de Promotoria de Justiça especializada no enfrentamento de toda e qualquer forma de violência e de discriminação."
 
A frase citada pela nota do MP foi deletada do perfil do promotor de Sorocaba.
 
 
Marum
 
 
O promotor Jorge Marum afirmou que a postagem feita por ele era pessoal e dirigida a amigos. Ele indicou ainda que não pretendia ofender as mulheres em geral e nem se opor ao movimento feminista, que considera legítimo. "Apenas não aceito a imposição de ideologias aos jovens pelo governo e pelas escolas. Isso, para mim, é próprio de regimes totalitários."
 
Ele afirmou que se dirigiu de forma irônica a uma pessoa específica, Simone de Beauvoir. Segundo Marum, os ideais e a trajetória de vida dela são no mínimo polêmicas, existindo relatos de historiadores sérios de sua colaboração com os nazistas e também em defesa da descriminalização da pedofilia. "Acho que uma personalidade como essa não pode ser apresentada como exemplo para os jovens. Infelizmente, minha manifestação foi distorcida e propagada por uma máquina de difamação cuja origem e métodos são bem conhecidos."
 
Ele frisou ainda que, como cidadão, tem o direito à liberdade de expressão, garantida pela Constituição brasileira e que muitas das pessoas que o estão atacando, defendem o "controle da mídia", que ele acredita significar a volta da censura.
 

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