CULTURA

Avenida Dom Aguirre recebe obra de Gilberto Salvador



Felipe Shikama
felipe.shikama@jcruzeiro.com.br


A partir de hoje, motoristas, passageiros e ciclistas que passarem pela avenida Dom Aguirre, em frente ao Terminal São Paulo, poderão apreciar uma grandiosa escultura assinada pelo artista plástico paulistano Gilberto Salvador.

Intitulado Bicicleta, a obra confeccionada em fibra de vidro pesa 1 tonelada e tem 13 metros de comprimento, 2,80 m de altura e 1,30 m de largura.

A escultura, que ficará exposta de forma permanente, é uma doação do próprio artista, por meio da Fundação Gilberto Salvador, ao Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs).

A presidente do Macs, Cristina Delanhesi, explica que a colocação da escultura na marginal do Rio Sorocaba, com base de concreto, foi autorizada pela prefeitura, por meio das secretarias de Cultura e de Meio Ambiente; e pela CPFL, que detém a cessão de uso do espaço, pois fica embaixo das torres de alta tensão.

Gilberto Salvador conta que a peça, com acabamento em resina goffrato, foi desenvolvida há 3 anos, a partir do pedido de um grupo de ciclistas de São Paulo. "Num determinado momento, eu consegui montar um desenho que foi simpático e a partir disso comecei a desenvolver a peça que consiste em seis círculos e três triângulos, que representam uma bateria de velocistas de bicicleta", explica.

Apreciador do ciclismo de estrada, Salvador detalha que o conjunto de círculos e triângulos faz menção a uma equipe completa de ciclistas, geralmente formada por três integrantes, sendo o da dianteira o "atacante", o do meio o "velocista" e o último o responsável pela "retaguarda". "Nas grandes competições de ciclismo de grande duração, como a Volta da França, todas as equipes têm basicamente essa formação", comenta.

Salvador explica que a ideia de presentear Sorocaba com essa obra surgiu em 2012, quando foi convidado pelo Macs para expor a escultura intitulada DNA, feita em madeira e fibra de vidro - que hoje faz parte do acervo permanente do Macs. "O que me surpreendeu quando eu vim para cá pela primeira vez foi a ciclovia. Eu achei que minha escultura poderia fazer essa interface com esse equipamento da cidade", conta, sugerindo que, simbolicamente, a obra represente o "marco zero" da malha cicloviária da cidade, atualmente estimada em 115 quilômetros lineares.

A confecção e montagem da escultura foi viabilizada com apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC), do governo estadual, e patrocínio da Coca-Cola. "O local que escolheram [para a instalação] foi muito legal, porque a escultura acaba funcionando como uma referência urbana. Aliás, uma das intenções que eu tenho como artista é fazer a minha obra se integrar ao espaço urbano", acrescenta o artista, responsável por obras de arte instaladas em espaços públicos da capital, como a estação Santo Amaro (Largo Treze) e a Estação Jardim São Paulo, em Santana.

Formado em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), Gilberto Salvador destaca o "papel de vanguarda" assumido pelo Macs, de levar obras de arte para fora de seus limites espaciais. "O museu está interferindo na vida da cidade. Isso não é apenas positivo. É uma tendência mundial e a função dele", acrescenta.

O museólogo e curador Fábio Magalhães assinala que o Macs é o primeiro museu do Estado de São Paulo a assumir a responsabilidade pelo gerenciamento e manutenção de obras de arte expostas fora de suas dependências. "A tendência é que a gente amplie isso ainda mais. Quando tivermos um volume significativo de peças instaladas em diversos pontos da cidade, a nossa ideia é ter um microônibus no qual os visitantes poderão fazer um passeio com monitores", adianta.

Outras obras

Além da doação de Bicicleta, a Fundação Gilberto Salvador também está repassando ao Macs, em regime de comodato, outras quatro esculturas que ficarão expostas de forma permanente no Jardim Botânico Irmãos Villas-Bôas.

Conforme adianta Cristina Delanhesi, as obras são assinadas pelos artistas Sérvulo Esmeraldo, Emanuel Araújo, Mestre Didi e Nicolas Vlavianos. "Essas obras estão passando por restauro. A previsão é que possam ser vistas a partir do início de novembro", comenta a presidente do Macs.

Também como exemplo de que o Macs está atento às tendências museológicas mundiais, Cristina complementa que a instituição acaba de firmar uma parceria com a Secretaria de Cultura, para que obras que fazem parte do acervo permanente do museu possam ser expostas no saguão do Teatro Municipal Teotônio Vilela. "Hoje temos quatro obras expostas lá. Inclusive a Secretaria mudou a iluminação para poder recebê-las. A ideia é que, com o passar do tempo, essas peças sejam trocadas, então quem for ao teatro também poderá se aproximar mais do museu", comenta.

A conclusão da montagem da escultura Bicicleta, de Gilberto Salvador, deve ocorrer no início da tarde de hoje. Já a solenidade de inauguração está prevista para o início de novembro, após o retorno do artista de uma exposição em Miami, nos Estados Unidos.



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