TURISMO

Pets ganham espaço em hotéis e roteiros turísticos



Aline Maria Acquaviva Carrano

Quando os períodos de férias se aproximam, as pessoas já começam arejar as malas e pensar em destinos. Praias, serras, campos estão entre as inúmeras opções de quem quer investir em descanso e lazer em família. Mas e os pets? O que fazer, onde deixar ou com quem? Para acabar com o sofrimento, leve-os juntos.
Muitos hotéis, nacionais e no exterior, já vêm oferecendo serviços especializados e acomodações para hóspedes que viajam com animais de estimação. E os mimos são muitos, de caminhas, tigelas a coleiras personalizadas. Ainda uma novidade no setor hoteleiro, o turismo para animais vem engordando o mercado pet.
Conforme, a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), em 2014 o segmento pet deve alcançar o faturamento de R$ 16 bilhões, tendo um aumento de 9,2% em relação a 2013. O Brasil é o segundo mercado mundial, perdendo apenas para os Estados Unidos.
"Atualmente, as pessoas gastam mais com seus animais de estimação, pois existe uma infinidade de opções entre rações, medicamentos, xampus, sabonetes, colônias, roupas, cobertores, casinhas, caminhas, coleiras, produtos de limpeza para o ambiente com animais, petiscos, brinquedos e muito mais", afirma a médica veterinária Daniele Bento.
No segmento Pet Serv (serviços e cuidados), as agências de viagens também já vêm se preparando para o crescimento na procura por pacotes que incluam os animais de estimação das famílias. A agente de viagens Tatiane Silva acredita que o mercado cresce, mas ainda é seleto. "O mercado pet é mais caro, então, as agências de viagens só vão atrás quando alguém realmente solicita o serviço", explica.
"Acredito que está mais divulgado e acessível no exterior. No Brasil, hotéis que antes não aceitavam animais têm olhado com bons olhos para esse segmento, já que existem turistas que fazem questão de levar seus animais em suas viagens", diz o agente de viagens Benedito Carlos Tomba, especialista em Planejamento e Marketing Turístico. Segundo o agente, o Brasil é o quarto país com o maior de número de animais de estimação do mundo. Dados Abinpet apontam que hoje o país abriga mais de 37,1 milhões de cães, 21,3 milhões de gatos, 26,5 milhões de peixes e 19,1 milhões de aves. Outros animais somam 2,17 milhões, totalizando 106,2 milhões de pets em escala nacional.

Na mala - "Levo a Polly, minha fox paulistinha, porque ela sente muito a minha falta quando estou viajando. Em lugares mais próximos, ela está sempre junto", conta a professora Maria Cristina Cirineo Rodrigues. Mas, para ela, ainda é difícil achar apartamentos que aceitem o animal e quando aceitam, o valor da diária é mais caro.
Polly já está acostumada às viagens e se comporta muito bem. "Ela viaja bem, e eu a condiciono para fazer as necessidades e para comer. Algumas vezes ela estranha o lugar", diz Maria.
Para Fernanda Sanhudo, 8 anos, já é rotina preparar os acessórios da poodle Zula, de 4 anos, para acompanhar a família durante as viagens. "Ela está acumulando milhas. Já conheceu muitos lugares", relata. Apesar da Zula ainda não ter viajado de avião, ela já correu e brincou pelas as areias de Ubatuba, no litoral paulista, tomou banho de cachoeira em São Thomé das Letras, no Sul de Minas Gerais, e passeou por inúmeras cidades do interior de São Paulo.
A poodle foi sendo acostumada às viagens de carro ainda quando era filhote. "Sempre viajamos para Campinas, aos finais de semana, onde temos uma casa. Com quatro meses, a Zula já nos acompanhava. Isso serviu para que ela aprendesse a fazer as necessidades e beber água apenas nas paradas, quando o caminho é mais longo", explica a jornalista e professora Andréa Sanhudo, mãe de Fernanda.
Para Andréa, a dificuldade maior está em encontrar locais que aceitam animais. "Preferimos sempre alugar casas ou pousadas com chalés, porque aceitam com mais facilidade. Principalmente, para animais de pequeno porte", afirma. "Em São Thomé", lembra Fernanda, "a Zula fez amizade com um cachorrinho que também estava hospedado no mesmo local. Mas não gostou muito do gato do dono da pousada".
Preparos essenciais - Não ter com quem deixar, não conseguir ficar longe e animais dependentes são alguns motivos que fazem com que os donos carreguem junto os pets, mesmo com uma rede hoteleira restrita. "Os hotéis que permitem têm regras, como ser de pequeno porte e o acréscimo de um valor adicional na diária. A especificação muda de hotel para hotel, alguns possuem canis ou permitem que os animais durmam apenas na varanda, outros os animais podem circular normalmente no quarto", explica a agente de viagens Tatiane Silva.
"Tanto para o dono quanto para o animal, é uma oportunidade de melhorar a relação entre eles. Também existe a possibilidade para ambos saírem da rotina, passear, passar férias juntos, conhecer lugares novos", destacam Patrícia Faria e Luciana Moura, proprietárias do Roteiro Animal, um site que traz dicas de hotéis e pousadas que aceitam animais de estimação e criam roteiros interessantes que se pode realizar com os pets.
Elas criaram o site a partir da necessidade de encontrar hotéis que recebessem a Frida, Cocker Spaniel, de 15 anos. "Queríamos viajar com a Frida, que é deficiente visual. Quando a Frida perdeu a visão, percebemos que seria impossível deixá-la sob os cuidados que não fossem os nossos. A partir daí, resolvemos buscar esses hotéis e trabalhar com a criação desses roteiros", relatam. O objetivo de Patrícia e Luciana é contribuir para o estímulo de posse responsável, respeito pelos animais e a promoção do turismo nacional na companhia do amigo pet.
"Com a disponibilidade de acomodação para pets temos clientes fiéis e, com isso, aumento na lucratividade", comenta Alessandra Kimijo, da Casa Amarela, hotel em Ilhabela, litoral paulista, que oferece serviço de acomodação para pets. Para a gerente, a relação das pessoas com os pets está mais amorosa, o que faz com que os animais sejam tratados como membro da família. "Aceitamos cachorro, gatos e até papagaio. Além de tudo, os donos de animais não podem esquecer que precisam respeitar o espaço do próximo, já que não são todas as pessoas que gostam de animais", alerta Alessandra.
Além dos benefícios de viajar juntos aos pets e cuidados na hospedagem, os donos precisam estar alertas ao transporte. Caixas e cinto de seguranças especiais, além de coleiras e placas de identificação com o nome do animal e telefone do proprietário, são itens essenciais. Também se deve levar a ração, kit de primeiros socorros, saquinhos para recolher dejetos, tapete higiênico ou jornal (para aqueles que usam), manta, brinquedos e roupas. Tudo para que o pet se sinta acolhido no "novo" local.
Durante a viagem é aconselhado paradas a cada duas ou três horas para se exercitar e fazer as necessidades, além de um recipiente com água. É bom evitar horários de muito calor ou trânsito, e alimentar o animal antes da viagem.
"O animal deve estar vacinado por um veterinário com as vacinas V10 ou V8 e a vacina da raiva. É bom levar a carteirinha na viagem. Se for viagem em companhia aérea, será exigida a carteirinha com essas vacinas atualizadas e atestado de saúde feito por um veterinário, portanto, não é bom deixar para última hora", ressalta a veterinária Daniele.
Para o litoral, deve-se usar vermífugo específico para o verme do coração com o mínimo de duas semanas antes da viagem e, em qualquer situação, os animais devem estar usando algum medicamento para evitar pulgas e carrapatos.
Nas viagens internacionais, a orientação é consultar o consulado do país escolhido, já que cada um possui exigências variadas, como vacinas, atestado de saúde, documentos do animal com pedigree (se tiver), guia de transporte animal com um veterinário, entre outras exigências feitas pela companhia aérea escolhida.
Para Tatiane, as viagens com animais se tornam mais difíceis devido ao aéreo, pois, para viajar com o dono na cabine, o animal tem que conseguir dar uma volta dentro da caixa, que tem que ficar embaixo do assento. Os animais maiores precisam viajar no bagageiro, o que às vezes pode ser um risco. Também é necessário o agendamento, pois existe um limite de transporte de animais por aeronave. "Em ambos os casos há um valor adicional que é pago na hora do check-in pelo dono", diz.
Com os cuidados tomados, os proprietários conseguem realizar uma boa viagem ganhando novas experiências com os seus pets.
Aline Maria Acquaviva Carrano (AgênciaJor/Uniso)


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