SOROCABA E REGIÃO

Habiteto é mantido sob ocupação policial



Thaís Gallonetti
thais.gallonetti@ jcruzeiro.com.br

programa de estágio

O Conjunto Habitacional Ana Paula Eleutério (Habiteto), na avenida Itavuvu, amanheceu ontem sob ocupação da Polícia Militar com cerca de 25 policiais e 9 viaturas, além de uma equipe da Guarda Civil Municipal (GCM) espalhadas pelo bairro. O sargento Jidjá Marques da Silva, do 1º pelotão da Força Tática da Polícia Militar, avaliava como "calmo" o bairro e que permaneceria policiado por tempo indeterminado, já que a PM recebeu ligações anônimas com ameaças de novos protestos. Não houve nenhum sinal de manifestação ou protesto durante a madrugada e manhã de ontem, mas o medo da violência motivou o fechamento de prédios públicos como escolas, creches e até o posto de saúde do bairro por volta do meio-dia (leia abaixo nesta página). Assustados, moradores não falaram com a reportagem.

De manhã, três viaturas da Força Tática circulavam fortemente armadas nas principais ruas do bairro a fim de coibir qualquer tipo de crime e vandalismo. O fluxo de veículos na avenida Itavuvu, principal via de acesso para o bairro, foi liberado e o comércio funcionou normalmente. Na entrada principal do Conjunto, três viaturas da polícia revistavam os veículos e pessoas que entravam e saíam do local. Duas viaturas também faziam o policiamento em frente a uma Unidade Básica de Saúde na mesma avenida, na altura do nº 7.000, enquanto carros da Força Tática circulavam por dentro do bairro.

Os sinais de destruição deixados pelo confronto da noite anterior e início da madrugada hoje ainda podiam ser vistos. Tijolos, madeiras, balas de borracha, instalações e móveis de um estande de imobiliária incendiados ficaram nas ruas e calçadas. Os carros queimados durante o protesto foram retirados do local e, apesar da troca de tiros durante o confronto, ninguém ficou ferido.

Origens do conflito

O confronto começou após um protesto contra a morte de dois jovens, que trocaram tiros com policiais militares no Jardim dos Eucaliptos, na zona norte. Alguns moradores do bairro dizem que a dupla teria sido executada. Por outro lado, a Polícia Militar alega que os dois rapazes teriam a intenção de matar o segurança - um guarda civil municipal - de um posto de gasolina da avenida Itavuvu. Para os policiais que trabalham nas ruas, não está descartada uma retaliação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), por conta do isolamento de um dos líderes do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), na Penitenciária de Presidente Bernardes.

Logo que a manifestação começou, por volta das 18h30, a avenida foi tomada por dezenas de viaturas da Polícia Militar, com policiais fortemente armados. Ninguém entrava e nem saía do bairro. Uma equipe protegida por escudos tentava se aproximar do local onde carros eram queimados. No entanto, rojões e outros artefatos explosivos eram lançados contra os policiais.

Uma barreira foi formada pela PM a aproximadamente 300 metros da linha de confronto, para evitar que moradores que chegavam do trabalho pudessem entrar e se aproximar da praça de guerra. Após alguns minutos, a polícia começou a agir com disparos de tiros de borracha e lança bombas de efeito moral contra os manifestantes. Houve intensa troca de tiros, mas ninguém se feriu. (Supervisão: Admir Machado)

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