MAIS TV

Vento a favor


 
Luana Borges - TV Press
Cristiane Amorim precisou ser obstinada. Baiana e com 22 anos de carreira no teatro, a Zefinha de Joia rara teve de, praticamente, começar do zero quando decidiu investir na televisão. Vendeu o pouco que tinha um carro velho e se mudou para o Rio de Janeiro, há 10 anos, mesmo sem ter qualquer possibilidade de trabalho em vista. Até conseguir estrear nas novelas, entre uma participação especial e outra, fez de tudo um pouco para se sustentar. Trabalhou como garçonete, hostess, pesquisadora de campo e vendedora de loja. Foi depois de uma participação em As cariocas que conheceu Amora Mautner e foi convidada, posteriormente, pela diretora para interpretar a Janaína de Cordel encantado. O desempenho na trama de 2011, inclusive, fez com que Cristiane fosse chamada novamente para a novela seguinte das autoras Duca Rachid e Thelma Guedes. "Agora, tenho uma personagem que está me dando destaque e credibilidade. Esse trabalho nem acabou e já tenho possibilidade de outros. Era isso que eu queria na minha carreira: um pouco mais de estabilidade", comemora.
O fato de ser baiana de Amargosa, cidade no interior do estado, facilitou a criação da personagem para Cristiane. Afinal, Zefinha também é nordestina e resolve se mudar para o Rio de Janeiro atrás de melhores oportunidades de vida. Por isso, a atriz não precisou amenizar seu sotaque. Pelo contrário. Carregou ainda mais em algumas palavras e pegou referências de diferentes estados, como Ceará e Pernambuco. "Coloco um visse e boto o r no lugar do v. Em vez de falar você vai, a Zefinha fala você rai", explica, aos risos. O único aspecto que exigiu um pouco mais da observação de Cristiane foi o mau-caráter do papel. "Tirei da vida. A gente encontra isso a cada esquina", constata.
 
Nome: Cristiane Andrea de Almeida Amorim.
Nascimento: Em 27 de dezembro de 1972, em Amargosa, na Bahia.
Primeiro trabalho na tevê: "Uma participação no programa SOS Emergência".
Sua atuação inesquecível: Zefinha de Joia rara. "É minha paixão".
Interpretação memorável: Zezé Polessa como a Ternurinha e Marcos Caruso como o prefeito Patácio em Cordel encantado.
A que gosta de assistir: "Vejo tudo, até o que eu não gosto".
O que sobra na televisão: "Sensacionalismo".
O que falta na televisão: "Investir mais em atores de teatro".
Se não fosse atriz, o que seria: "Trabalharia com moda ou decoração".
Ator: Marcos Caruso.
Atriz: Zezé Polessa.
Cantor: Gilberto Gil.
Cantora: Ivete Sangalo.
Autor: Adriana Falcão.
Diretor: Amora Mautner.
Humorista: Bruno Mazzeo, Marcelo Adnet e Fábio Porchat. "Admiro muito todos dessa geração nova".
Novela preferida: Cordel encantado, de 2011.
Papel com mais retorno do público: Zefinha de Joia rara.
Que novela gostaria que fosse reprisada: Roque Santeiro, de 1985.
Que papel gostaria de representar: "Queria fazer a viúva Porcina, de Roque Santeiro, e a Perpétua, de Tieta".
Filme: "Amo os filmes do Almodóvar".
Livro de cabeceira: "Gosto de livros de Psicologia, que desvendam a mente humana".
Vexame: "Já caí no palco e saí me arrastando até chegar na coxia, que estava próxima".
Uma mania: "De dormir sozinha. Não suporto dormir com ninguém. Até a respiração da pessoa me incomoda".
Um medo: "De não ter trabalho".
Projeto: "Fazer tevê até morrer. E cinema também".
 
Joia rara, Globo, segunda a sábado, às 18h20
 



comments powered by Disqus