ECONOMIA

Contratações no comércio apresentam queda no início do ano, mas mercado continua aquecido



Marcelo Roma
marcelo.roma@jcruzeiro.com.br


O começo do ano, época em que normalmente há redução de vendas no comércio em relação a novembro e dezembro, por causa das compras de Natal e pagamento do 13º salário, continua aquecido para o mercado de trabalho no comércio em Sorocaba. As contratações continuam, embora em volume menor que no final de 2013, quando houve uma "corrida" dos empregadores por mão de obra. A inauguração de três shopping centers, com suas lojas franqueadas, e também a vinda de redes varejistas para Sorocaba, no ano passado, trouxeram impacto na economia, com grande número de geração de empregos na cidade. Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o comércio abriu 2.221 novas vagas em 2013, com forte empuxo para o final do ano.

Segundo representantes de duas agências de recursos humanos, a busca por mão de obra no comércio prossegue, apesar de ter havido redução na comparação com o final de 2013. Em janeiro e fevereiro, continuam existindo mais vagas que candidatos dispostos a preenchê-las. A diretora da Gradus RH, Célia Guilhen, diz que lojas, inclusive, nos shoppings procuram por funcionários, embora em menor escala que no segundo semestre de 2013. As vagas são, em maioria, para vendedores, mas também para estoquistas, atendentes, operadores de caixa e gerentes.

A contratação de empregados para o comércio esbarra em dois problemas principais, o piso salarial, considerado baixo pelos candidatos, e a exigência de trabalho aos finais de semana, feriados ou horários flexíveis. De acordo com Célia, muitas pessoas que procuram emprego preferem a indústria ou serviços, porque querem tempo disponível para a família, lazer ou estudos. "Há candidatos que desistem da vaga ao saber o valor do salário e que teriam que trabalhar aos finais de semana e feriados", conta a diretora da agência de recursos humanos.

A coordenadora de seleção da Global Empregos, Iramaia Monteiro, observa que a procura por empregados para o comércio não é tão intensa quanto no fim do ano, mas permanece em alta. Ela dá o exemplo de uma livraria que será aberta e que precisa de 30 funcionários. "Mas há dificuldade porque muita gente prefere ir para a indústria ou o setor de serviços, que também continuam contratando." Segundo Iramaia, no início de 2013, as indústrias contrataram mais que o comércio e agora está equilibrado. A explicação pode ser os novos shoppings e redes varejistas inaugurados no ano passado.

A diretora da Gradus lembra que empresas menores, localizados nos bairros, não chegam a procurar agências de emprego. Geralmente, os comerciantes colocam cartazes no próprio estabelecimento, chamam pessoas conhecidas ou da vizinhança. Os supermercados enfrentam o mesmo problema. Em reportagem publicada em dezembro, a Associação Paulista de Supermercados (Apas) informou um déficit médio de 10% de trabalhadores do setor na região.

Piso salarial

O piso salarial para o comerciário é em torno de R$ 870, segundo o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Sorocaba (Sincomerciários), Ruy Amorim. Ele afirma que a categoria reivindica na negociação da convenção coletiva é para um piso de R$ 1.214. "A concorrência de shoppings, hipermercados e o comércio varejista em geral vem crescendo e, no ano passado, tivemos pedidos de empresas para indicar candidatos a empregos", diz Amorim. O sindicato tem um banco de currículos para o preenchimentos de vagas que vão surgindo.

O presidente do Sincomerciários confirma a falta de interesse por causa dos baixos salários e por ter de trabalhar aos fins de semana e feriados. "O jovem não quer ir para o comércio porque fica sem tempo para vida social, escola, igreja e lazer". Segundo Amorim, a carga horária também é estrangulada em muitos casos, passando das 48 horas semanais. "Há abusos na jornada. Tem cidadão que trabalha 10, 12 horas por dia, para cobrir faltas ou férias de colegas, mas isso não pode acontecer."

Em Sorocaba, o número de trabalhadores no comércio é de quase 9 mil, conforme Amorim. É um setor em pleno crescimento e as empresas continuam contratando, diz ele. O presidente do sindicato ressalta que, entre final de dezembro e janeiro, ocorrem as demissões de empregados temporários, contratados especificamente para o fim do ano. Mas acredita que muitos que eram temporários, se concordarem em trabalhar aos fins de semana e feriados, têm agora a opção de novo emprego, porque adquiriram experiência. As demissões também não significam necessariamente queda nas vendas ou má fase na economia, mas motivos diversos, como mudança de emprego, de cidade, casamentos, entre outros.

A busca pelos melhores vendedores movimenta a concorrência, explica Amorim. Assim como no futebol, há olheiros que procuram e chamam bons profissionais para trabalhar em outras empresas. Isso é mais comum nos grandes magazines e concessionárias de veículos.

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