SOROCABA E REGIÃO

Liminar libera remoção de 314 vagões



César Santana
cesar.santana@jcruzeiro.com.br
programa de estágio

Com a obtenção de uma liminar na Justiça expedida pela 1ª Vara Cível de Boituva na última terça-feira, a Prefeitura de Iperó deu início ontem ao processo de desmontagem e remoção de um total de 314 vagões sucateados que estão abandonados há cerca de 20 anos no pátio da estação ferroviária do município. O caso envolve uma luta judicial entre a administração municipal e a América Latina Logística (ALL), que por meio de um contrato de concessão com o Governo Federal, é a responsável pela guarda dos trens. A concessionária já havia recebido ordem para remover os vagões inativos em 2011, porém alegou na ocasião não ter sido notificada sobre o assunto. O mesmo acontece agora e a empresa, que informou ainda não ter ciência sobre a decisão judicial, tentará derrubar a liminar.

Enquanto isso não ocorre, a remoção dos vagões segue em andamento. As sucatas incomodam principalmente moradores dos bairros Novo Horizonte e Vila Santo Antônio, que precisam cruzar a ferrovia para ter acesso ao centro da cidade. Com a presença dos vagões, a passagem fica comprometida, tornando-se perigosa principalmente durante a noite, quando o local é utilizado como ponto para consumo de drogas. A falta de manutenção no local, segundo os reclamantes, também causa a proliferação de animais peçonhentos. Além disso, estudos apontam que vazamentos de produtos químicos dos vagões podem estar contaminando a área, alertam vizinhos.

O início do processo de remoção trouxe motivos para comemorar não só para a população, mas também para o prefeito de Iperó, Vanderlei Polizeli (PSDB), que acompanhou o início dos trabalhos na estação. "Isso vai melhorar a qualidade de vida, o acesso de quem mora na região e vai permitir que a prefeitura faça uma revitalização na área além de evitar a proliferação de doenças como a dengue", ressalta. O prefeito destaca ainda que com a retirada dos vagões, será mais fácil combater a criminalidade na área dos bairros que ficam além da ferrovia, que atualmente é ocupada por cerca de 400 famílias.

Segundo Polizeli, apesar do início do remoção, apenas a primeira parte do serviço será feita num primeiro momento, sendo necessária a abertura de concorrência pública para dar sequência ao processo. "Nessa primeira parte serão removidos os vagões que estão nos pontos de passagem. Posteriormente será aberta uma licitação e assim que houver uma empresa vencedora, ela dará continuidade ao trabalho", explica. A expectativa do chefe do Executivo é de que a remoção completa dos vagões seja feita dentro de 60 dias.

O prefeito estima um custo entre R$ 500 e 600 mil para a execução total dos serviços. Além de desmontar os vagões, a Prefeitura irá guardar e posteriormente leiloar o material recolhido. "O galpão para o armazenamento já foi providenciado. Depois a sucata recolhida, também por meio de concorrência pública, será revertida no dinheiro para custear o serviço", explica Polizeli, ressaltando ainda que o restante não será aproveitado pelo governo municipal, mas sim destinado ao proprietário dos vagões.

Duas décadas

Os vagões abandonados na antiga estação ferroviária de Iperó prejudicam a travessia de moradores dos bairros da região além de causar outros transtornos há cerca de 20 anos. Entre entraves na Justiça entre Prefeitura e a ALL, nunca houve a remoção definitiva das estruturas, que desde então permanecem no local oferecendo situações de risco à população. Além de assaltos, há relatos até mesmo de crimes sexuais ocorridos entre os trilhos, onde as centenas de estruturas metálicas servem como esconderijo para marginais.

Segundo o cabeleireiro Luís Rodrigues Moreira, que mora há 40 anos no bairro Novo Horizonte, houve inclusive um desaparecimento no local. "Temos uma amiga que está desaparecida há oito meses. Ela foi vista pela última vez na estação", conta. Ele relata ainda outros perigos existentes na área. "À noite não tem iluminação e tem muito mato acumulado. Está perigoso e por conta disso, os bairros além da linha estão desvalorizados", diz.

Essa é justamente a reclamação da aposentada Nilva Marques Pereira dos Santos, que mora no Jardim Santo Antônio. Por conta disso, ela já está à procura de um novo lugar para morar. "Faz dois anos que moro aqui e já coloquei uma placa de venda na minha casa", diz. Ela relata ter medo de atravessar a ferrovia, principalmente durante a noite. Com o início da remoção dos vagões, Nilva já cogita até mesmo desistir da mudança.


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